Vale não vê motivos para achar que preço do minério será diferente em 2018

Os preços do minério de ferro deverão ficar em patamar próximo ao visto no ano passado, que foi em torno de US$ 70 a tonelada, disse o diretor executivo de Ferrosos da Vale, Peter Poppinga. “Não temos motivos para achar que o preço do minério de ferro deve ser diferente desse ano”, destacou, em teleconferência com analistas.

Poppinga disse ainda que a demanda por minério segue sustentada globalmente, dado que há um cenário de crescimento mundial.

O diretor da Vale afirmou que, para este ano, o mercado transoceânico de minério de ferro deverá receber uma nova oferta de 40 milhões de toneladas, sendo que 20 milhões de toneladas virão da própria Vale. No ano passado, esse mercado recebeu uma nova oferta de 60 milhões de toneladas.

Política de dividendos

A nova política de dividendos da Vale, que será divulgada em março e que promete ser mais “agressiva”, já deverá ter efeitos no segundo semestre deste ano, disse, também em teleconferência, o presidente da mineradora, Fabio Schvartsman.

“Estamos trabalhando para comemorar o fim dessa fase de desalavancagem com o anúncio de uma política de dividendos que visará retribuir os acionistas pela paciência após um longo período de investimento”, disse o presidente da Vale.

Na terça-feira, a Vale reiterou que até o fim do primeiro semestre deste ano a companhia deverá alcançar sua meta de ter uma dívida líquida abaixo de US$ 10 bilhões. A Vale encerrou o ano passado com uma dívida líquida de US$ 18,143 bilhões, recuo de 27,5% em relação ao visto um ano antes.

Samarco

A retomada das operações da Samarco é o foco da Vale, que aponta que essa é uma obrigação social da companhia. A Samarco, joint venture da mineradora brasileira com a BHP Billinton, está com as operações paralisadas desde o rompimento de uma barragem em Mariana (MG), em novembro de 2015.

“Precisamos fazer a Samarco voltar a operar. Isso não tem a ver com ganhar dinheiro, mas com a questão social”, disse Schvartsman. “Não estamos olhando a Samarco como oportunidade de negócio, essa é uma responsabilidade indelegável da companhia”, disse. Segundo ele, a operação não deve se traduzir em maiores ganhos para Vale ou BHP.

No ano passado, uma das alternativas que vinha sendo levantada era a possibilidade de a Vale comprar a fatia da Samarco detida pela BHP. “Nosso último foco em Samarco é uma negociação com a BHP”, disse.

Fusões e aquisições

A Vale está fazendo sua lição de casa e com foco em reduzir sua alavancagem. Assim, segundo o presidente da empresa, este não é momento de se discutir movimentos de fusões e aquisições (M&A, na sigla em inglês), apesar de oportunidades existirem no mercado.

“A licença para investir depende da capacidade da empresa de performar e temos muita coisa à frente antes de chegar a esse momento”, disse o presidente da Vale.

Segundo ele, nesse ínterim, caso confirmada a geração de caixa robusta, a Vale irá, assim, distribuir dividendos e não destinar os montantes para investimento. “Pagaremos um bocado de dividendos de houver excedente de caixa”, afirmou.

Schvartsman disse que os grandes movimentos de M&A seriam uma “distração” nesse momento e frisou que, ao contrário de seus concorrentes que precisam investir para manter a capacidade, a Vale está na contramão, podendo usufruir, nesse momento, dos benefícios dos investimentos já realizados.

A Vale encerrou o ano passado com uma dívida líquida de US$ 18,143 bilhões, recuo de 27,5% em relação ao visto um ano antes. Ante o terceiro trimestre o endividamento líquido recuou 14%. Com isso, a Vale destacou que até o fim do primeiro semestre deste ano a companhia deverá alcançar sua meta de ter uma dívida líquida abaixo de US$ 10 bilhões.

Diversificação

A Vale precisa ser uma empresa diversificada, mas isso ocorrerá por meio do resgate da lucratividade da área de metais básicos da companhia, afirmou Schvartsman, em teleconferência com analistas.

O executivo disse ainda que Eduardo Bartolomeo, que acaba de retornar a empresa, chefiará esse negócio com a meta de reformular a área. Schvartsman afirmou que uma das metas é reformar a unidade de Sudbury, no Canadá, onde a empresa acredita que há potencial de geração de valor elevado, e ainda tornar a VNC em uma operação estável e apta para se tornar rentável.

O presidente da Vale reiterou que a Vale precisa ser mais diversificada, mas que isso não significa aquisições em novos negócios. Atualmente, a receita da Vale tem grande dependência do minério de ferro.

Na teleconferência, o executivo disse que o resultado da mineradora apresentado na noite de terça veio em linha com o esperado pela empresa e que já mostra o esforço de se tornar “mais previsível”.

Ele lembrou que dado o cenário global, a tendência é de que os preços do minério de ferro se mantenham de forma sustentável e destacou a estratégia da Vale em privilegiar sua margem.

Desde que chegou á companhia, em maio do ano passado, Schvartsman já realizou mudanças em cerca de metade de sua diretoria executiva, mas indicou que no momento a formação do grupo está “equilibrada”. “Há uma saudável mistura”, disse.