O presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, criticou nesta quinta-feira (29) a carta divulgada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), na qual o candidato derrotado à Presidência questionou o resultado das eleições de 2026.
Questionado por jornalistas sobre o documento, Valdemar respondeu que não havia gostado de seu conteúdo. Posteriormente, afirmou que a manifestação do senador não recebeu aprovação prévia de integrantes da direção partidária.
As declarações foram feitas após uma visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro, autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
A reação do dirigente representa mais um sinal de desgaste político provocado pela decisão de Flávio de contestar publicamente o resultado eleitoral e viajar para os Estados Unidos.
Valdemar afirma que ninguém aprovou a carta
Segundo Valdemar Costa Neto, o documento divulgado por Flávio Bolsonaro não foi submetido à aprovação da direção do PL.
A carta foi publicada na quarta-feira (28), depois que o senador chegou aos Estados Unidos.
Na primeira versão, Flávio se apresentou como o verdadeiro presidente eleito do Brasil, apesar da derrota para Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno.
O texto passou por alterações e a referência foi substituída por uma declaração de liderança política.
Mesmo após as mudanças, o parlamentar manteve acusações contra o processo eleitoral sem apresentar provas que sustentassem a existência de fraude.
Jair Bolsonaro não sabia da viagem do filho, diz dirigente
Valdemar também afirmou que o ex-presidente Jair Bolsonaro desconhecia os planos do filho de deixar o Brasil.
De acordo com o dirigente, nem ele próprio nem outras lideranças partidárias tinham conhecimento prévio da viagem.
Flávio Bolsonaro desembarcou nos Estados Unidos na quarta-feira, após passar pela Argentina.
A saída ocorreu em meio a uma investigação judicial e a determinações relacionadas à entrega dos passaportes do senador.
Flávio nega ter cometido irregularidades e afirma ser alvo de perseguição política.
Carta amplia divergências dentro do PL
A manifestação do presidente do partido ocorre em um momento de reorganização da oposição após a eleição presidencial.
Integrantes do PL demonstraram preocupação com os efeitos políticos da carta, especialmente diante da possibilidade de que a contestação do resultado eleitoral comprometa a atuação parlamentar da legenda.
O senador Rogério Marinho, que coordenou a campanha de Flávio, também afirmou que não dispõe de provas para sustentar acusações de fraude.
As declarações indicam que o discurso adotado pelo candidato derrotado não representa necessariamente uma posição consensual entre seus aliados.
Partido enfrenta desafio de reorganizar oposição
A derrota nas urnas e a repercussão da viagem de Flávio Bolsonaro colocaram o PL diante de um novo cenário político.
A legenda precisará definir como conduzir sua atuação no Congresso Nacional e qual será o papel do senador na oposição ao governo Lula.
Enquanto Flávio insiste em questionar o processo eleitoral, outras lideranças defendem o reconhecimento do resultado e a continuidade da disputa política pelos meios institucionais.
O posicionamento de Valdemar reforça a existência de diferenças dentro do partido sobre a estratégia a ser adotada após as eleições.
Da IstoÉ