Internacional

Vai acabar no tapetão

Atrás nas pesquisas, Donald Trump ataca a votação antecipada, que é recorde, e torce para que a disputa chegue à Suprema Corte

Crédito: Yasin Ozturk / Anadolu Agency

Donald Trump disse há um mês: “Essa eleição vai acabar na Suprema Corte”. Não era uma profecia, mas uma determinação de sua campanha. Atrás em praticamente todas as pesquisas, o presidente americano depende cada vez mais de um fator externo para superar o democrata Joe Biden na corrida à Casa Branca. O pretexto deve ser o número recorde de votos pelo correio, assim como o inédito comparecimento antecipado às urnas. Quase 70 milhões de americanos já tinham votado faltando seis dias para o pleito, que acontecerá na terça-feira, 3 — quase metade em estados-chave como Texas e Flórida. Isso representa mais de 50% de todos os eleitores que votaram no país há quatro anos — 136,5 milhões. A principal razão é a pandemia, mas há um enorme esforço dos dois principais partidos para ampliar a participação, que não é obrigatória. Pela média das pesquisas eleitorais compiladas pela CNN, Biden tem 52% das intenções de voto, contra 42% de Trump.

INÉDITO Quase 70 milhões de americanos já votaram antecipadamente nas eleições que acontecem na terça-feira, 3 (Crédito:AP Photo/LM Otero)

O presidente tem denunciado as cédulas enviadas pelo correio como fontes de fraudes, apesar desse sistema já estar em vigor desde a Guerra Civil. O sistema eleitoral americano é descentralizado, e cada estado pode estabelecer suas próprias regras. A maioria deles vai começar a contar os votos pelo correio antes do dia eleição. Mas esse processo só vai acontecer no próprio dia do pleito em três deles: Pensilvânia, Wisconsin e Michigan. Com o número recorde de votos antecipados e a contagem acontecendo apenas a partir do dia da eleição, essa apuração levará vários dias ou semanas, podendo adiar o resultado.

Esses três são estados-pêndulo, vitais para que os dois candidatos consigam reunir o número de delegados suficientes para vencer no Colégio Eleitoral. E os votos antecipados, segundo os prognósticos, estão indo em larga maioria para os democratas. Os estados onde Biden deve ganhar já tiveram 24 milhões de votos antecipados, e aqueles onde Trump deve vencer, 9,2 milhões. Para Biden, não basta ganhar no voto popular. Hillary Clinton e Al Gore venceram, mas perderam a eleição por não terem reunido o maior número de delegados. Se os resultados da terça-feira não forem arrasadores a favor do democrata, ou mesmo se levarem a algum tipo de dúvida, Trump promete uma batalha jurídica que deve chegar à Suprema Corte.

Juíza Amy Coney Barrett vai compor a nova maioria conservadora na Suprema Corte. Ela pode dar votos decisivos para Trump se as eleições forem judicializadas (Crédito:Nicholas Kamm / AFP)

Essa guerra, nas eleições mais polarizadas e conflituosas em décadas, já começou. Na segunda-feira, 26, a corte decidiu que os votos no Wisconsin devem chegar pelos correios até o dia 3, rejeitando um pedido dos democratas por uma extensão de seis dias. Dois dias depois, negou o pedido dos republicanos para que os votos da Pensilvânia recebidos até três dias depois do pleito fossem desconsiderados. Na decisão, o juiz Samuel Alito ressaltou o risco de insegurança que uma decisão contrária às normas estaduais poderia gerar. A dúvida sobre como essas questões vão ser arbitradas ganhou um elemento novo na última semana: a confirmação da juíza Amy Coney Barrett para a Suprema Corte, no lugar da progressista Ruth Bader Ginsburg.

Escolha pessoal do presidente, Barrett vai compor a nova maioria conservadora na Suprema Corte, de seis a três. Há a expectativa de que ela dê votos decisivos a favor de Donald Trump. Nas audiências para sua confirmação, ela se negou a responder se evitaria julgar casos envolvendo o pleito. Levar as eleições para o maior tribunal do país é um evento raro. Aconteceu em 1876 e em 2000, quando George W. Bush e Al Gore finalizaram praticamente empatados na Flórida. Esse estado-pêndulo foi determinante para dar a vitória ao republicano na época.

PRONTOS Donald Trump e Joe Biden votaram antecipadamente. na Flórida e em Delaware, respectivamente Democrata lidera com 52% das intenções de votos, contra 42% do republicano (Crédito:AP Photo/Evan Vucci e AP Photo/Patrick Semansky)

Na decisão envolvendo a Pensilvânia, na última semana, Barrett ainda não votou. Mas outros casos podem chegar à corte. Os partidos estão preparando diversas ações visando a checagem dos votos antecipados. O cenário é de grande disputa. Republicanos chegaram a instalar dezenas de urnas falsas na Califórnia para enganar os eleitores, majoritariamente democratas. Trump não se constrangeu em apoiá-los nas redes: “Lutem duro, republicanos. Eles têm tirado vantagem do sistema por anos!”. O mandatário já havia se recusado a admitir a derrota no caso de Biden triunfar na terça-feira — é a negação de um gesto solene que sempre aconteceu historicamente no interesse da democracia americana. Se perder e não admitir, ele pode tentar arrastar o processo eleitoral para as cortes, mas será o último ato de polarização da era Trump.

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