A vacinação contra o vírus herpes-zóster em idosos pode reduzir significativamente o risco de desenvolver demência, aponta um novo estudo. A pesquisa, liderada por especialistas da Escola de Saúde Pública da Universidade Brown, nos Estados Unidos, foi publicada no prestigiado periódico Annals of Internal Medicine.
A vacinação contra herpes-zóster em idosos está associada à diminuição do risco de desenvolvimento de demência, conforme estudo.
- Pesquisadores avaliaram os registros de mais de 500 mil indivíduos com mais de 66 anos que não tinham diagnóstico prévio da doença.
- O vírus herpes-zóster, causador da varicela, pode reativar em idosos e provocar inflamação crônica no sistema nervoso central, associada a danos cerebrais.
O vírus é o mesmo causador da varicela, popularmente conhecida como catapora. Após a infecção inicial, geralmente na infância, ele permanece latente em gânglios do sistema nervoso por décadas. Em pessoas com baixa imunidade, grupo que inclui os idosos, o vírus pode ser reativado. Ao se manifestar pelo sistema nervoso periférico, causa o que é conhecido como “cobreiro”, uma doença caracterizada por lesões cutâneas que provocam coceira intensa, formação de bolhas e que pode evoluir para um quadro de dor extrema.
Entenda a relação entre o vírus e a demência
Contudo, o vírus também pode alcançar o sistema nervoso central, desencadeando um processo inflamatório crônico capaz de causar danos ao cérebro. “O processo inflamatório crônico somado ao envelhecimento compromete o mecanismo de reparação após uma agressão”, explica o neurologista Augusto Penalva de Oliveira, do Hospital Israelita Albert Einstein. “Estudos sugerem que esse vírus está associado não só à demência, mas também a quadros vasculares, como o acidente vascular cerebral (AVC).”
Como o estudo avaliou a proteção da vacina?
Segundo os autores do artigo, pesquisas observacionais anteriores já indicavam que a vacina contra o herpes-zóster poderia oferecer proteção ao cérebro. Na tentativa de aprofundar essa associação, os pesquisadores simularam um estudo randomizado. Para isso, utilizaram dados de pacientes que passaram por clínicas ou instituições após alguma condição de saúde ou por longas internações entre os anos de 2017 e 2022.
Foram analisados registros de mais de 500 mil indivíduos com idade superior a 66 anos, todos sem diagnóstico inicial de demência. Ao comparar as informações dos que haviam recebido pelo menos uma dose da vacina e daqueles não imunizados, os pesquisadores observaram uma queda no risco de desenvolver demência entre os vacinados.
Oliveira ressalta que o estudo possui limitações metodológicas, como o fato de utilizar registros que podem conter imprecisões sobre os diagnósticos, além do grande número de pacientes na amostra total que não puderam ser avaliados. “Ainda assim, há um grande potencial de a vacina ter esse efeito protetor”, avalia o neurologista.
As recomendações atuais sobre a vacinação
A Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) recomenda a vacinação contra o herpes-zóster de rotina para todos os adultos a partir dos 50 anos. Essa indicação é válida inclusive para aqueles que já desenvolveram a doença. Por enquanto, a vacina só está disponível na rede privada.
Da IstoÉ com Agência Einstein