ROMA, 14 FEV (ANSA) – Após o juramento e a primeira reunião com seus ministros, o novo premiê da Itália, Mario Draghi, terá uma série de grandes desafios no curto prazo para resolver.
Como a aprovação do nome do primeiro-ministro deve ocorrer sem grandes problemas pelo Legislativo até a quarta-feira (17), a meta será conseguir unir partidos com tantas visões diferentes em um caminho único. A base de Draghi vai de partidos populistas à centro-esquerda e extrema-direita.
No primeiro encontro do Conselho de Ministros, o economista deu o tom: será preciso “união” para resolver os problemas e os representantes não devem colocar seus “interesses pessoais” acima de tudo.
Isso porque estão em pauta uma aceleração do programa de imunização contra a Covid-19 bem como a aprovação do Plano de Recuperação pós-pandemia com o dinheiro da União Europeia. Este último, por exemplo, foi a gota d’água para o ex-premiê Matteo Renzi retirar o seu partido, o Itália Viva (IV), da base de apoio de Giuseppe Conte.
Segundo aliados de Draghi, além das necessidades impostas pela pandemia, outras palavras-chave serão jovens e meio ambiente, com um governo voltado a criar oportunidades para os primeiros, que são os que mais vêm sofrendo com os problemas econômicos dos últimos anos, sem deixar de colocar a Itália em um futuro mais verde.
Já sobre as vacinas, fontes dizem que a meta será reaplicar o modelo inglês, com melhoras nas áreas de logística, produção e distribuição dos imunizantes. Para o novo premiê, só será possível uma verdadeira retomada econômica quando houver a chamada “imunidade de rebanho” na sociedade.
Crise no M5S – Um dos principais partidos da base aliada de Draghi, o populista Movimento Cinco Estrelas (M5S), vive uma crise interna por conta do novo governo italiano.
Um grupo de senadores se revoltou neste sábado (13) após não haver uma fusão ministerial entre Meio Ambiente e Desenvolvimento Econômico e pediu para que não seja dado o voto de confiança nas sessões desta semana na Câmara e no Senado.
A crise pode rachar a sigla de maneira inédita e um dos fundadores do M5S, Beppe Grillo, afirmou que quem não quer seguir a linha adotada “deve decidir logo se vai ou fica”.
No entanto, os “rebeldes” pedem uma nova votação no sistema Rousseau, usado pelo partido para tomar as decisões mais importantes, com a pergunta se os afiliados querem ou não fazer parte do governo.
Pouco antes de Draghi aceitar a nomeação de premiê, cerca de 120 mil correligionários votaram no Rousseau e mais de 59% deles aprovaram a entrada no novo governo. Mas, a pergunta usada pela sigla dizia que o apoio seria dado por conta da criação de um “superministério” para a transição ecológica. (ANSA).