Universidade suspende aluno suspeito de estupro coletivo no RJ

Unirio prestou 'incondicional solidariedade à estudante vítima de violência sexual'; quatro suspeitos seguem foragidos

Jovens suspeitos de cometer estupro coletivo no Rio de Janeiro
Jovens suspeitos de cometer estupro coletivo no Rio de Janeiro Foto: Disque Denúncia/Divulgação

A Unirio (Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro) suspendeu de forma cautelar o estudante suspeito de participar do estupro coletivo de uma adolescente de 17 anos em Copacabana. Ele foi identificado como Bruno Felipe dos Santos Allegreti, de 18 anos, e é considerado foragido.

Em nota, a instituição prestou “incondicional solidariedade à estudante vítima de violência sexual“, informou que o estudante ficará suspenso por 120 dias e vedado de “frequentar salas de aula, laboratórios de ensino ou de pesquisa, ambientes de apoio acadêmico como bibliotecas, restaurante universitário e outras áreas de convivência”.

O Centro Acadêmico de Ciências Ambientais, demais Centros Acadêmicos, Diretórios Acadêmicos da universidade e o Diretório do Centro e o Diretório Central dos Estudantes da Unirio também repudiaram o ocorrido. “Mais do que expressar indignação, reafirmamos algo essencial: nenhuma vítima está sozinha. A culpa não é e nunca será da vítima”, disse a nota conjunta publicada nas redes sociais.

O estupro coletivo

Na internet circulam vídeos dos cinco suspeitos entrando no apartamento em 31 de janeiro, quando o crime teria ocorrido. As cenas, do circuito de segurança, foram incorporadas ao inquérito aberto pela 12ª Delegacia de Polícia Civil do Rio de Janeiro, que indiciou quatro jovens pelo caso, hoje considerados foragidos.

O quinto suspeito, um adolescente, terá a conduta apurada pela Vara da Infância e Juventude.

Após o estupro, a vítima pediu ajuda aos familiares e fez a denúncia. Ela contou à polícia que recebeu o convite de um colega de escola para ir à casa de um amigo dele. Ao chegar, o colega, o único adolescente, insinuou que eles fariam “algo diferente”, o que a jovem recusou.

No apartamento, ela foi trancada em um quarto com os homens que a forçaram ter relações sexuais.  “Com a negativa [dela], eles passaram a despir-se e a praticar atos libidinosos mediante violência física e psicológica contra a vítima”, detalhou a polícia, em nota à imprensa.

A corporação pediu a prisão dos quatros envolvidos e a apreensão do adolescente. Eles responderão por estupro e por ato infracional análogo ao crime. No domingo, 1º, o Disque Denúncia divulgou um cartaz para ajudar na localização dos jovens considerados foragidos: Bruno Felipe dos Santos Allegretti, 18 anos; Vitor Hugo Oliveira Simonin, 18; Mattheus Verissimo Zoel Martins, 19; e João Gabriel Xavier Bertho, 19.

Dois dos jovens são alunos do Colégio Federal Pedro II, que abriu um processo administrativo contra os indiciados. Em nota publicada nas redes sociais, a instituição disse que abriu processo para expulsão dos estudantes.

“Seguimos com os procedimentos para continuidade de processo iniciado pela gestão do campus, em conjunto com a Reitoria e sob orientação da procuradoria federal para desligamento dos dois estudantes do Colégio Pedro II envolvidos”, disse o colégio na declaração.

A instituição afirmou que não pode “tolerar a barbárie da violência de gênero no país” e informou que acolheu a vítima e sua família, garantindo sigilo sobre o caso. A estudante violentada também estuda na escola. 

Um dos indiciado pelo crime, João Gabriel Xavier Berthô, é jogador de futebol do Serrano FC. O clube anunciou, também nas redes sociais, o afastamento do jogador e a suspensão de seu contrato. De acordo com o time, a decisão de afastar o jogador foi tomada diante da gravidade da situação. “O clube repudia veementemente qualquer forma de assédio ou violência”, disse o Serrano, em sua conta em rede social.