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Unidades de elite iraquianas mobilizadas para proteger embaixada dos EUA

Unidades de elite iraquianas mobilizadas para proteger embaixada dos EUA

A entrada principal da embaixada dos EUA destruída por manifestantes pró-Irã, em 2 de janeiro de 2020 - AFP


Unidades de elite iraquianas foram mobilizadas nesta quinta-feira (2) para reforçar a segurança da embaixada dos Estados Unidos em Bagdá, alvo de um ataque sem precedentes de manifestantes pró-iranianos.

Embora tenha gerado um temor de uma nova crise entre os dois grandes aliados do Iraque, os Estados Unidos e o Irã, a ação registrada na Zona Verde de Bagdá, onde estão localizadas a embaixada dos EUA e as principais instituições do Estado iraquiano, não teve desdobramentos políticos.

De acordo com jornalistas da AFP no local, cerca de dez veículos blindados das unidades antiterroristas de elite iraquianas assumiram posições nas vias que levam à embaixada e ao Ministério das Relações Exteriores.

O saguão, onde a segurança da embaixada normalmente revista os visitantes, está destruído, com paredes queimadas e o vidro blindado quebrado em mil pedaços. A parte externa do muro da representação americana está pichada com mensagens pró-Irã.

Máquinas retiram escombros do que foi destruído e pedras que foram lançadas pelos manifestantes favoráveis ao Irã durante os protestos realizados na terça e quarta-feira para denunciar os ataques aéreos americanos contra uma facção armada iraquiana pró-iraniana que ocorreram no domingo passado.

Desde 1º de outubro, os iraquianos exigem a saída do grupo político que está no poder há 16 anos e o fim do sistema político estabelecido por Washington durante a ocupação do país entre 2003 e 2011.

– ‘Vamos continuar’ –

“O que aconteceu na embaixada dos Estados Unidos foi uma tentativa de desviar a atenção das manifestações populares”, explica Ahmed Mohamed Ali, que protestou em Nasiriyah (sul). “Mas vamos continuar, manifestamos por mudanças e esperamos vencer”.

Na mesma cidade, dois ativistas foram alvo de tentativas de assassinato, segundo a polícia. Para as Nações Unidas, essa campanha de intimidação é realizada por “milícias”. Vários ativistas foram mortos, dezenas foram presos e centenas ameaçados. Na quinta-feira, um ativista, Sadun Al Luhaibi, foi morto em Bagdá, segundo uma fonte policial.

A revolta foi marcada pela violência que, desde 1º de outubro, deixou cerca de 460 mortos e 25 mil feridos, a maioria deles manifestantes, de acordo com fontes médicas e policiais.

Em Diwaniya (sul), o movimento de desobediência civil continua a bloquear escolas, prédios públicos e ruas. Os protestos foram interrompidos brevemente para permitir que funcionários públicos pudessem sacar seus salários nos bancos.

Essa revolta incomum se deve ao fato de que, no final de novembro, o governo de Adel Abdel Mahdi renunciou espontaneamente. No entanto, seu substituto ainda não foi escolhido, apesar dos prazos impostos pela Constituição.

E o presidente do país, Barham Saleh, ameaçou renunciar se as autoridades iraquianas pró-Irã insistirem em apresentar candidatos rejeitados pelo povo. Mas, após o ataque à embaixada, a situação mudou, disse à AFP Renad Mansour, especialista em Iraque da ONG Chatham House.

“Antes do acordo, os Estados Unidos e o Irã nunca se atacavam diretamente. Agora está mudando porque o Irã e seus aliados estão em uma situação difícil”, diante de uma revolta popular que quer dar as cartas, afirma Monsour.

O ataque à embaixada revelou a infiltração do Irã em aparelhos políticos e, acima de tudo, na segurança iraquiana. Os partidários paramilitares do Irã são “a força mais poderosa do Iraque porque líderes políticos e comandantes militares permitem que assumam esse papel”, disse à AFP um membro das forças especiais mobilizadas na Zona Verde.


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