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Unicamp desenvolve diagnóstico de covid-19 por mudança de cor de levedura

Pesquisadores do Laboratório de Genômica e bioEnergia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) estão desenvolvendo um novo modelo de teste para diagnóstico da covid-19, chamado de Coronayeast, que que promete ser rápido e barato. A ideia é detectar o vírus em levedura, que ganharia cor vermelha ao confirmar a infecção. O exame em desenvolvimento analisa amostras de saliva ou de material coletado da nasofaringe de pacientes.

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A equipe já pediu a patente da invenção, o que garante exclusividade para explorá-la comercialmente. No entanto, ainda é preciso um financiamento de R$ 500 mil a R$ 1 milhão para levar o produto no mercado em até seis meses.

A ideia é inserir na levedura um gene que produz a proteína humana ACE-2, substância que facilita a entrada do SARS-CoV-2. Se há o vírus na amostra, após minutos de incubação, passa a ser abundante a presença de angiotensina 2, hormônio que é identificado por estruturas da levedura. O reconhecimento ativa genes que fazem a levedura ficar vermelha a olho nu e fluorescente.

A intensidade da fluorescência, que se nota apenas com auxílio de equipamentos, é proporcional à quantidade de vírus na amostra. Leveduras são organismos unicelulares bastante usados na fabricação de alimentos e bebidas fermentadas, como pão e vinho. Apesar de serem microscópicas, elas crescem em culturas, agregando-se ao ponto de serem facilmente identificadas.

Segundo o professor titular do instituto de biologia da Unicamp Gonçalo Amarante Guimarães Pereira, que participa do projeto, o exame seria barato e poderia ser aplicado diversas vezes por dia, inclusive em casa. O custo de cada unidade ainda não foi estimado, mas a expectativa é de que a produção seja até 100 vezes mais barata do que de testes RT-PCR, tido como de “padrão-ouro” para o diagnóstico.

Os pesquisadores também aguardam o desenrolar dos estudos para apontar o tempo necessário para se chegar ao diagnóstico, mas a ideia é de que a coloração vermelha apareça na levedura em no máximo 4 horas. Se não há a presença do vírus, a levedura mantém a cor natural: bege-amarelada.

Segundo os responsáveis pelo invento, o Coronayeast é o primeiro biossensor de levedura para detecção de vírus que se tem notícia. A ideia é usar a mesma lógica para detecção de outras doenças. Embora os experimentos preliminares indiquem que a precisão do teste ainda depende de um número exato de dias após a infecção, a expectativa dos pesquisadores é de que a sensibilidade do teste seja bastante alta. Isso seria uma vantagem sobre os testes RT-PCR, indicados para encontrar o RNA do vírus na fase aguda da doença, entre o 3º e 7º dia de sintomas, e o exame sorológico (teste rápido), que mostra anticorpos após o 8º dia.

“Mesmo que de forma intermitente, a doença deve permanecer até 2025. Por isso, acreditamos no potencial do teste para aumentar o controle da pandemia, até ajudando a reduzir período de reclusão”, afirma Carla Maneira da Silva, estudante do mestrado em genética e biologia molecular da Unicamp.

Para o professor Pereira, o exame ainda teria a vantagem de ser de fácil distribuição, por não exigir diversos insumos para o funcionamento. Como o Estadão revelou, por falta de reagentes, cotonetes e outros instrumentos, há milhares de exames sem uso no País. Apenas o Ministério da Saúde estocava 9,85 milhões de testes RT-PCR, tidos como “padrão-ouro” para diagnóstico, até a última semana.

Aluno do pós-doutorado no laboratório da Unicamp, Fellipe da Silveira Bezerra de Mello afirma que o Coronayeast seria um importante legado da universidade pública. “Tem-se falado muito de vacina, mas a testagem é muito importante, principalmente na pandemia. Acho que o projeto ainda valoriza o trabalho científico neste momento”, disse.

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