UE anuncia retomada de exportações de carne do Brasil se requisitos forem atendidos

Bloco europeu suspendeu importações por descumprimento de normas sanitárias; Brasil ameaça reciprocidade

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Nesta sexta-feira (4), a União Europeia anunciou que as exportações de carne do Brasil para o bloco serão retomadas assim que o país demonstrar total conformidade com os rigorosos requisitos sanitários exigidos por Bruxelas. A declaração foi feita por Olof Gill, porta-voz da Comissão Europeia para Comércio, em coletiva de imprensa, após o governo brasileiro ter sinalizado a possibilidade de adotar medidas de reciprocidade caso as negociações com a UE não produzam resultados satisfatórios.

O que aconteceu

  • A retomada das exportações de carne do Brasil para a União Europeia depende do cumprimento de requisitos sanitários.
  • O governo brasileiro ameaçou retaliar a UE se as negociações sobre o tema não avançarem.
  • Uma auditoria europeia nos produtores brasileiros está em andamento para verificar a conformidade com as normas.

Olof Gill enfatizou que o bloco continuará a trabalhar em estreito contato com as autoridades brasileiras. “Uma vez demonstrada a conformidade, as exportações desses produtos do Brasil para a União Europeia poderão ser retomadas”, afirmou o porta-voz.

Ele reforçou que o Brasil é considerado um “importante parceiro estratégico” para a UE, com quem há uma colaboração “estreita, construtiva e positiva em todo o espectro de áreas políticas”. Gill assegurou que a abordagem europeia é “proporcional e não discriminatória”, e que o bloco concedeu “tempo suficiente e todas as informações necessárias para se adequarem” aos parceiros.

Por que a União Europeia suspendeu as importações?

A suspensão das importações de carne bovina e aviária do Brasil, bem como de outros produtos de origem animal como mel e tripas, ocorreu na última quinta-feira (3). A UE alegou descumprimento das normas europeias referentes ao uso de antimicrobianos e antibióticos na produção.

Atualmente, uma auditoria europeia está sendo realizada em produtores brasileiros, com foco especial em frango e mel. Embora a conclusão seja esperada para os próximos dias, a Comissão Europeia já alertou que a divulgação dos resultados pode levar tempo.

Em resposta à suspensão, os ministérios das Relações Exteriores e da Agricultura do Brasil emitiram uma nota conjunta. O comunicado criticou a medida e reiterou que o governo brasileiro “reserva-se o direito de recorrer aos instrumentos cabíveis para assegurar condições equilibradas de comércio, inclusive às medidas de reciprocidade”.

Qual a relação com o acordo Mercosul-UE?

Esta disputa se desenrola em um momento delicado, logo após a entrada em vigor provisória do acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul, ocorrida em maio passado. As negociações para a formalização do tratado estenderam-se por mais de 25 anos, principalmente devido à resistência de produtores agropecuários e de nações como França e Polônia.

As normas da UE proíbem o uso de antimicrobianos para acelerar o crescimento do gado. Além disso, o bloco restringe rigorosamente a utilização de antibióticos reservados à medicina humana, visando combater o aumento da resistência de pacientes a esses medicamentos essenciais.

Dados de 2025 mostram que o Brasil foi o segundo maior fornecedor de carne bovina para a União Europeia, exportando mais de 92 mil toneladas, o que totalizou US$ 825 milhões (R$ 4,2 bilhões).

Da IstoÉ com ANSA