Da IstoÉ e Ansa
A União Europeia anunciou nesta segunda-feira (12) a criação de uma missão de apoio à segurança no Líbano, com mandato inicial de três anos. A iniciativa busca fortalecer as Forças Armadas e as instituições de segurança do país, ampliar o controle territorial e contribuir para a estabilidade política e institucional. A decisão foi aprovada durante uma reunião dos ministros das Relações Exteriores dos 27 países do bloco, em Luxemburgo.
Denominada Missão de Apoio da União Europeia no Líbano (EUSM Lebanon), a operação será desenvolvida no âmbito da Política Comum de Segurança e Defesa europeia. A estrutura terá componentes militares e civis, com atividades voltadas à capacitação das autoridades libanesas.
A medida está alinhada à Resolução 1701 do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), que estabelece parâmetros para a segurança e a estabilidade na região.
Missão europeia reforçará controle de fronteiras e segurança interna
A chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, afirmou que a nova missão representa um avanço na cooperação entre a União Europeia e o Líbano.
Segundo a autoridade, a iniciativa prestará assistência às Forças Armadas Libanesas e às Forças de Segurança Interna para melhorar o controle do território, a proteção das fronteiras e a manutenção da segurança interna.
Na área militar, a missão oferecerá treinamento e orientação técnica para aprimorar a vigilância terrestre e marítima, o compartilhamento de informações e a coordenação operacional.
Também estão previstas atividades relacionadas ao combate ao contrabando e ao desenvolvimento de capacidades de monitoramento e reconhecimento.
Operação terá componentes militares e civis
A missão contará com duas frentes de atuação, subordinadas a um mandato político unificado.
O componente militar será responsável por apoiar o desenvolvimento das capacidades das Forças Armadas Libanesas, especialmente na proteção das fronteiras e na segurança marítima.
Já a estrutura civil oferecerá assistência especializada às forças policiais, incluindo treinamento para enfrentar crimes cibernéticos e atividades de contrabando.
A União Europeia também pretende colaborar para o fortalecimento da segurança portuária, com atenção ao Porto de Beirute.
De acordo com as informações divulgadas pela agência ANSA, a estrutura deverá contar com aproximadamente 150 profissionais.
União Europeia afirma que missão não substituirá a Unifil
A criação da nova operação ocorre em um momento de incerteza sobre a continuidade da presença internacional de segurança no sul do Líbano.
A União Europeia ressalta que sua missão não foi concebida para substituir a Força Interina das Nações Unidas no Líbano (Unifil), presente no país desde 1978.
A força de paz da ONU atua especialmente na região próxima à fronteira com Israel, onde sucessivos confrontos envolvendo forças israelenses e o Hezbollah, grupo xiita apoiado pelo Irã, têm provocado instabilidade.
Apesar da presença internacional, a região continuou registrando episódios de violência ao longo dos anos, evidenciando os desafios enfrentados pelas autoridades libanesas para garantir a segurança territorial.
Kallas já havia declarado que a nova estrutura europeia não ficará restrita ao sul do país e destacou a importância de evitar um vazio de segurança diante das mudanças previstas na atuação da ONU.
Próxima etapa será o planejamento para o envio da missão
A decisão anunciada nesta segunda-feira formaliza a criação da EUSM Lebanon, mas não representa o início imediato de suas atividades em território libanês.
Segundo o Conselho da União Europeia, ainda será necessário concluir o planejamento operacional antes da mobilização das equipes.
Após essa etapa, o bloco deverá aprovar uma nova decisão para autorizar oficialmente o início da operação.
A missão também deverá trabalhar em coordenação com instituições europeias, países integrantes do bloco, organismos das Nações Unidas e outros parceiros internacionais envolvidos no fortalecimento do setor de segurança libanês.