Inelegível até 2032, Marçal vira aposta do União Brasil para Câmara

Candidato à prefeitura de São Paulo se filia ao partido nesta sexta-feira em busca de consolidação política

Pablo Marçal
O ex-coach Pablo Marçal Foto: João Vitor Revedilho/IstoÉ

A filiação do coach Pablo Marçal ao União Brasil acontece em meio à indefinição sobre a própria candidatura nas eleições de 2026. Além dos processos de inelegibilidade em curso na Justiça Eleitoral, Marçal e o partido ainda discutem quais cargos estarão disponíveis para disputa.

Emissários do coach já apontaram a preferência pela candidatura ao Senado. O próprio Marçal também defende a tese de que o capital político construído na capital paulista poderia cacifá-lo para uma das vagas ao Salão Azul. Os mesmos interlocutores apontam que a tese é defendida, inclusive, pelo presidente nacional da legenda, Antônio Rueda.

Mas a executiva paulista está longe de seguir o mesmo caminho. A avaliação é que Marçal pode ser um puxador de votos e, por isso, há quem defenda a candidatura dele à Câmara dos Deputados. O principal defensor desse argumento é o ex-vereador Milton Leite, presidente da Executiva municipal de São Paulo, que busca fortalecer a bancada da legenda na Câmara.

O coach já havia sido candidato a deputado em 2022 pelo antigo Pros, hoje Solidariedade. Na ocasião, obteve 243 mil votos, mas teve a candidatura indeferida após decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). À época, o TSE entendeu que as ações assinadas pelo então diretório estadual da legenda eram nulas.

Apesar da preferência de Marçal pela disputa ao Senado, a tendência é que a corrida pela Câmara dos Deputados seja o seu caminho neste ano. A IstoÉ apurou que a vaga ao Senado está ficando cada vez mais distante à medida que a federação União Progressista — formada por União Brasil e Progressistas — se aproxima do apoio à reeleição de Tarcísio de Freitas (Republicanos) ao governo de São Paulo.

Pablo Marçal

Pablo Marçal

Até o momento, a chapa tem apenas o nome de Guilherme Derrite (Progressistas-SP) confirmado para a disputa. O segundo nome na composição ficará a cargo do PL, que ainda negocia quem deve indicar. Os favoritos são o vice-prefeito de São Paulo, Ricardo Mello Araújo, e os deputados federais Marco Feliciano, Mário Frias e Rosana Valle. Nomes como Renato Bolsonaro, irmão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e o deputado estadual Gil Diniz correm por fora na disputa.

Para ser candidato, Marçal terá que tentar reverter sua inelegibilidade, já definida pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP). O coach está inelegível até 2032 após ser condenado por abuso de poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação. O caso se refere ao “campeonato de cortes” promovido por ele em suas redes sociais.

Aliados do coach avaliam como grandes as chances de reversão do cenário no TSE. Há expectativa de que a executiva nacional interceda a favor dele e que o próprio Marçal passe a fazer sinalizações aos ministros da Corte eleitoral.