Ediçao Da Semana

Nº 2742 - 12/08/22 Leia mais

ROMA, 21 JUN (ANSA) – Os órgãos técnicos da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) alertaram que é preciso dar uma “solução urgente” para o problema dos grandes navios que transitam pelo centro histórico de Veneza.   

Segundo o texto, é preciso adotar “uma solução de longo prazo”, que dê a máxima prioridade à hipótese de “impedir totalmente” o acesso à Lagoa de Veneza das embarcações de grande porte, preferencialmente, levando-as “para portos mais adaptados na área”.   

As afirmações foram adicionadas à proposta de inserir a cidade italiana nos patrimônios em risco e que será analisada pela Unesco durante a sessão anual, entre os dias 16 e 31 de julho.   

Se a medida for aprovada, o Comitê Mundial do Patrimônio pedirá ao governo italiano que apresente um plano de intervenção e de medidas corretivas para a situação. Os italianos ainda precisarão apresentar, até fevereiro de 2022, um relatório de atuação.   

O Conselho de Ministros aprovou, no início de abril, um decreto-lei sobre a proibição de navios com mais de 40 mil toneladas, o que inclui as embarcações de cruzeiro. No texto, havia a determinação de que a Autoridade do Sistema Portuário do Mar Adriático Setentrional tinha 60 dias para lançar um “concurso de ideias” para dar uma solução definitiva ao problema.   

O prazo venceu em 1º de junho e, até o momento, nada foi anunciado. Como medida temporária, os barcos de grande porte deveriam ir para o porto de Marghera, que fica na parte continental de Veneza e é adaptado aos navios porque já é um porto comercial. Porém, como o cais turístico ainda não está pronto, os cruzeiros ainda estão transitando pela Bacia de San Marco e pelo Canal de Giudecca.   

Além das colisões das embarcações contra os prédios históricos, ONGs locais acrescentam que há riscos ambientais também para os moradores – e que são impulsionados pelas mudanças climáticas.   

Após o anúncio da Unesco, o ministro dos Bens Culturais, Dario Franceschini, afirmou que “infelizmente, a decisão estava no ar há algum tempo”.   

“Isso seria uma coisa grave para o nosso país e não há mais tempo para hesitações. Nós já demos um passo importante no último decreto-lei com a destinação definitiva da aproximação dos grandes navios fora da Lagoa. Agora, acredito que foi feito mais para impedir a passagem dos grandes navios no canal de Giudecca”, acrescentou Franceschini.   

O alerta de inclusão já vem sendo dado há cerca de quatro anos pela Unesco, depois de outra aprovação de legislação para controlar o fluxo dos navios em Veneza não ter sido levada adiante. Além da medida de 2017, uma outra em 2013 também nunca saiu do papel.   

A ideia do concurso foi criticada pelo presidente da ONG Legambiente Vêneto, Luigi Lazzaro, em maio deste ano. Para o especialista, a ideia é como se fosse um “jogador que lança a bola para a arquibancada a cada ação, esperando o apito final”, mas “infelizmente, em Veneza, falta um árbitro”.   

Veneza na Unesco – Veneza e sua Lagoa foram inscritas na lista de Patrimônios Mundiais da Unesco em 1987. E, segundo o órgão, dos mais de 1,1 mil inscritos no mundo, cerca de 50 estão classificados como “em risco”.   

Quando um local entra nessa classificação, é iniciada uma negociação com o Estado para “verificar a remoção das condições de perigo para a sustentabilidade do sítio e para a manutenção dos valores cultuais que determinaram” o reconhecimento.   

Conforme o relatório, o último monitoramento feito de maneira conjunta pelos especialistas da Unesco/Icomos/Ramsar, em janeiro, foca a sua atenção, especialmente, no transporte, em particular dos grandes navios, nos fluxos turísticos e nas obras de infraestrutura e industrial.   

O documento cita que a “proibição teórica” da entrada das grandes embarcações não tem efeitos práticos porque não há a definição de rotas alternativas. Segundo os especialistas, o efeito combinado da chegada dos cruzeiros mais um grande fluxo turístico – somado aos efeitos climáticos – podem provocar “danos irreversíveis” no “vulnerável sistema lagunar”. (ANSA).