Saúde

UNAIDS alerta sobre efeitos da Pandemia nas políticas públicas para educação e tratamento de HIV e Aids

Cristiane Bomfim, da Agência Einstein

“A Covid-19 está ameaçando o progresso que o mundo fez em saúde e desenvolvimento nos últimos 20 anos, incluindo os ganhos que fizemos contra o HIV. Como todas as epidemias, está ampliando as desigualdades que já existiam”. O alerta foi feito na semana passada por Winnie Byanyima diretora executiva do UNAIDS, programa da Nações Unidas para o combate da Aids. No vídeo, que abre as discussões do Dia Mundial de Luta contra a Aids, celebrado hoje, ela chama atenção para as consequências da pandemia nas ações de educação, prevenção e tratamento de pessoas que convivem com HIV. Afinal, de acordo com números da Organização Mundial de Saúde (OMS), no mundo cerca de 38 milhões de pessoas vivem com HIV e 25% delas sequer sabem. Desde o início da epidemia, na década de 1980, cerca de 33 milhões de pessoas perderam a vida para a Aids, 690 mil só no ano passado.

Com a descoberta e a rápida disseminação do novo coronavírus, o combate à Covid-19 a se tornou prioridade dos órgãos públicos, instituições de saúde e da sociedade como um todo. “O fato de ser um vírus desconhecido, que tem adoecido e levado à morte muitas pessoas, fez com que as atenções se voltassem a ele. A Covid-19 traz problemas não apenas pela sua própria gravidade, extensão e ausência de tratamento específico, mas também no combate e acompanhamento de outras doenças endêmicas, como é o caso da Aids, por conta da desestruturação dos serviços de saúde e medo da população de procurar atendimento”, afirma Hélio Bacha, médico infectologista do Hospital Israelita Albert Einstein.

Ao longo de todo o mês de dezembro, o UNAIDS terá “Solidariedade global, responsabilidade compartilhada” como tema da campanha mundial de conscientização sobre HIV e Aids. “Devemos colocar as pessoas em primeiro lugar para colocar a resposta à Aids de volta aos trilhos. Devemos acabar com as injustiças sociais que colocam as pessoas em risco de contrair o HIV. E devemos lutar pelo direito à saúde. Não há desculpa para os governos não investirem totalmente no acesso universal à saúde. Barreiras como taxas iniciais de uso que impedem as pessoas de ficarem saudáveis devem ser eliminadas”, afirmou a diretora executiva do UNAIDS.

Para se ter uma ideia, em abril, quando os números da epidemia da Covid-19 no Brasil começaram a crescer, ofício circular número 16 da Secretaria de Vigilância em Saúde alertou as unidades de saúde sobre as dificuldades de logística para recolhimento de amostras para exames de genotipagem de HIV e emissão dos resultados em todas as regiões do país, motivadas pela redução das malhas aéreas e rodoviárias. Além disso, uma pesquisa realizada por diversos segmentos da sociedade civil para analisar o impacto da Covid-19 nas políticas de Aids e tuberculose no Brasil – entre elas a Articulação Nacional de Aids (Anaids) – mostrou que as equipes técnicas dos programas de HIV/Aids foram reduzidas em 40% e as consultas periódicas caíram 35%. Já o número de testagens para HIV foi 22% menor no período entre 28 de abril e 10 de maio.


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Campanhas educativas sobre HIV Aids também estão cada vez mais escassas e adesão ao preservativo como forma de prevenir o contágio está menor. No início do ano, uma pesquisa realizada com 2.035 brasileiros com acesso à internet e coordenada pelo infectologista e professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) Ricardo Vasconcelos mostrou que apenas 48% dos entrevistados usam sempre a camisinha nas relações e que 29% nunca usam proteção. Sobre epidemia de HIV no Brasil, 32% acreditam ser uma questão resolvida. No entanto, dados mais recentes do Ministério da Saúde mostram que só em 2018 foram registrados 43,9 mil novos casos de HIV no País. Além disso, 135 mil pessoas vivem com o vírus sem saber.

“Em cima de um contexto de pandemia, os desafios multiplicam-se. Temos que ter medidas de urgência em garantir acesso à informação e tratamento. O impacto da pandemia Covid-19 já era esperado e, por isso, não há justificativa para não reorganizar o sistema de saúde para continuar atendendo pessoas com HIV Aids e outras doenças endêmicas”, diz Hélio Bacha, do Einstein.

(Fonte: Agência Einstein)

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