Italiano Umberto Pizzi, último ‘paparazzo’ da Dolce Vita, morre aos 87 anos

Lenda da fotografia italiana, conhecido por registrar celebridades e a vida política do país, deixa vasto arquivo

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Foto: Imagem ilustrativa

Umberto Pizzi, o fotógrafo italiano considerado o último “paparazzo” da chamada “Dolce Vita”, período em que artistas de Hollywood visitavam Roma nos anos 1960 para filmar e desfrutar da cidade, morreu nesta terça-feira (29) aos 87 anos. Sua morte, divulgada pelo jornal italiano “Il Fatto Quotidiano”, marca o fim de uma era na cobertura de celebridades e da sociedade italiana.

A causa da morte de Pizzi não foi revelada. Ele colaborava com o “Il Fatto Quotidiano” há mais de uma década.

Nascido em Zagarolo, nos arredores de Roma, em 1937, Pizzi iniciou sua carreira na fotografia nos anos 1960 e manteve-se ativo profissionalmente por toda a vida. Diariamente, ele percorria as ruas de scooter, com a câmera pendurada no pescoço, em busca de momentos que pudessem capturar e registrar o imaginário coletivo da Itália.

Um legado visual da Dolce Vita

Ao longo de sua vasta trajetória, Pizzi imortalizou os anos da “Dolce Vita” e grandes histórias de amor, como a emblemática união entre Elizabeth Taylor e Richard Burton. Além disso, acompanhou de perto os círculos do poder, incluindo a ascensão de Silvio Berlusconi na política do “Belpaese”, e registrou os hábitos e costumes da sociedade italiana, com foco particular na aristocracia romana.

O fotógrafo também capturou imagens de ícones do cinema como Marcello Mastroianni, Vittorio Gassman e Roberto Rossellini. Essas personalidades frequentavam a Via Veneto, uma rua de Roma que, com seus restaurantes e grandes hotéis, tornou-se um ponto de encontro para atores, diretores e outras celebridades internacionais.

Paparazzo e fotojornalista de guerra

Pizzi também demonstrou sua versatilidade ao atuar como fotojornalista de guerra para a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). Nessas missões, ele cobriu conflitos e acontecimentos significativos em regiões como Irã, Iraque, Turquia, Síria e Jordânia.

Nos anos 2000, colaborou com o site Dagospia, onde publicou séries de crônicas fotográficas que mais tarde deram origem aos livros “Cafonal” e “Ultracafonal”. Suas fotografias também foram destaque em veículos italianos e internacionais de renome, incluindo “Time”, “People Magazine” e “Sunday Express Magazine”.

Com a morte de Pizzi, desaparece o último dos “paparazzi” romanos. O termo “paparazzi” foi inspirado no sobrenome do fotógrafo Coriolano Paparazzo, personagem central do aclamado filme “La Dolce Vita”, dirigido por Federico Fellini.

Qual a importância do trabalho de pizzi?

O presidente do Senado italiano, Ignazio La Russa, lamentou a morte do fotógrafo, destacando o papel fundamental de Pizzi como testemunha ocular da vida do país. “Com o falecimento de Umberto Pizzi, perdemos um grande fotógrafo e um observador único, curioso e perspicaz de mais de meio século da vida italiana”, declarou La Russa.

Segundo o presidente do Senado, Pizzi conseguiu registrar, por meio de suas lentes, não apenas personalidades influentes da política, da cultura, do entretenimento e da alta sociedade, mas também “os momentos, as expressões e as atmosferas que definiram uma época”.

“Da “Dolce Vita” aos dias de hoje, Pizzi atravessou mudanças de costumes e gerações, deixando-nos – através de suas fotografias – um legado visual que se tornou parte da memória coletiva do nosso país”, afirmou La Russa, prestando condolências à família e a todos que conviveram com o fotógrafo em sua extensa carreira profissional.

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