Internacional

Uma vitória do Brexit

Pela quarta vez em quatro anos, o Reino Unido vai às urnas. Os conservadores lideram as pesquisas eleitorais mais recentes e podem finalmente viabilizar o complexo divórcio com a União Europeia, que divide o país desde 2016

Crédito: STANSALL / POOL / AFP

NA FRENTE O premiê Boris Johnson em campanha: aposta nas eleições antecipadas pode ser bem-sucedida (Crédito: STANSALL / POOL / AFP)


O Reino Unido está mais próximo de desatar o nó do Brexit, que paralisou a economia e a política do país desde sua aprovação no referendo de 2016. Nas eleições antecipadas da quinta-feira 12, os conservadores mantinham a dianteira nas pesquisas. Se confirmada, a vitória pode finalmente concretizar a separação do país com a União Europeia (UE). O resultado deve representar um triunfo do primeiro-ministro Boris Johnson e das forças pró-Brexit.

CRISE O trabalhista Jeremy Corbin pode ser o grande derrotado. O líder radical demorou para admitir a revisão do Brexit (Crédito: ANDY BUCHANAN / AFP)

Em levantamento divulgado na terça-feira 10 pelo instituto de pesquisas You Gov, os tories (conservadores) estavam na frente com 43% das intenções, podendo obter 339 das 650 cadeiras do Parlamento. Com esse resultado, retomariam a maioria do Legislativo — são necessários 326 parlamentares. Os trabalhistas eram escolhidos por 34% dos eleitores (ou 231 deputados), seguidos pelos liberais democratas, com 12% das intenções (15 cadeiras). A pesquisa mostrou uma diminuição da vantagem conservadora. Em 27 de novembro, outro levantamento do instituto havia apontado 43% de preferência para os tories, contra 32% para os trabalhistas. Isso significa que nos últimos dias a dianteira dos partidários de Boris Johnson caiu de 68 para 28 cadeiras. Ainda assim, um resultado positivo. Apesar de as pesquisas eleitorais terem errado nos últimos pleitos, o You Gov é considerado o levantamento mais confiável e previu corretamente os resultados de 2017.

A campanha transcorreu sem grandes incidentes, ainda sob a atmosfera polarizada dos últimos anos no país. A maior preocupação do exótico premiê Boris Johnson, nos últimos dias, era com uma crise de último minuto. Por isso, evitou contato na última conferência da OTAN, em Londres, com o presidente Donald Trump, considerado “tóxico” pelas declarações polêmicas e por ter defendido publicamente a entrada de companhias de saúde americanas no pós-Brexit — o sistema nacional de saúde, um orgulho britânico, é reconhecido mundialmente. O primeiro-ministro conseguiu evitar associar sua imagem à do americano, mas não escapou na reta final de uma cena constrangedora quando foi confrontado com a foto de uma criança obrigada a esperar no chão de um hospital em Leeds, que se recusou a olhar. Foi um dos momentos de maior repercussão da campanha. Os partidários anti-Brexit apostaram no voto útil.

 

Separação da UE


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O divórcio com a União Europeia foi o grande tema da campanha. O prazo para a saída do país do bloco já foi adiado duas vezes. Agora a data prevista é 31 de janeiro de 2020. O Parlamento rejeitou as propostas negociadas pela ex-premiê Theresa May, que perdeu o cargo por causa disso em julho passado. Boris Johnson, que assumiu a chefia do governo em julho, sofreu várias derrotas legislativas em sua tentativa de tirar o Reino Unido da UE. Forçou as eleições antecipadas, pois não conta com o número suficiente de deputados. Agora, espera que uma nova maioria conservadora facilite seus planos para o Brexit, embora não haja garantia de que isso vá acontecer. Sua aposta, no final, pode se comprovar correta. Nesse caso, o impasse pode finalmente ser superado. Isso eliminaria um fator de incerteza sobre o futuro do país que prejudicou investimentos e afastou várias companhias, especialmente do setor financeiro, que rumaram para a Alemanha e Holanda. O fim do impasse poderia melhorar o ambiente para os negócios.

Oposição em baixa

No campo oposicionista, a ascensão conservadora deve selar o destino de Jeremy Corbyn, que pode se tornar o grande derrotado do processo. O líder do Partido Trabalhista é um eurocético que culpou historicamente as regras de disciplina fiscal europeias pelos problemas econômicos no país. Sempre mostrou ambiguidade em relação ao Brexit. Desde 2016, ao invés de abordar essa questão central para o futuro do Reino Unido, preferiu insistir nas desigualdades da sociedade britânica e, contra elas, prometeu políticas de distribuição radicais que têm pouca adesão entre a maioria. Apenas recentemente adotou um tom mais pró-europeu, prometendo negociar um novo acordo de saída que privilegie temas como emprego e meio ambiente. Também passou a defender um novo referendo que possibilitasse a anulação do Brexit. A mudança de atitude pode ter chegado tarde. Corbyn faz parte de uma geração de esquerda que está em baixa na Europa. Seus líderes — como Jean-Luc Mélenchon, na França, e Alexis Tsipras, na Grécia — têm fracassado nas urnas e perdido relevância política. Resta aos conservadores provar que a provável vitória, seguida, espera-se, do Brexit, possa retirar as amarras da União Europeia que teriam freado o desenvolvimento dos britânicos. Essa próxima batalha será mais difícil — e talvez intransponível — para Boris Johnson.

 

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