PANDEMIA * 2020

Uma vida mais curta e triste

Estudo europeu mostra que a Covid-19, nos países em que a pandemia está sendo mais severa, pode reduzir a longevidade da população em cerca de 10 anos

Crédito: Alvaro Fuente

IDOSOS Maioria das vítimas fatais do coronavírus no Brasil e no mundo tem mais de 60 anos: curva da longevidade volta a decrescer (Crédito: Alvaro Fuente)

A Covid-19 está tendo um efeito nefasto sobre a expectativa de vida da população dos países mais afetados pela pandemia. Uma pesquisa feita por um grupo de pesquisadores europeus, com base em dados produzidos pela Organização Mundial de Saúde (OMS), indica que o coronavírus pode ter consequências demográficas desastrosas e acabar reduzindo a longevidade dos idosos em pelo menos 10 anos. Em países como a Itália, em que as pessoas chegavam tranquilamente aos 85 anos, agora a idade média da morte pode não passar dos 75 anos. No Brasil, a doença também deve afetar a longevidade da população, já que 85% dos óbitos registrados no País são de pessoas com mais de 60 anos. Mas a questão social também acaba tendo forte peso no resultado da conta da epidemia no País, uma vez que quase metade dos infectados (48%) está entre 20 e 39 anos. Isso coloca a média de idade dos pacientes do coronavírus no Brasil em torno de 39 anos, a mais baixa comparada com a maioria dos outros países.

Com uma expectativa de vida alta, a Europa acabou se destacando nas mortes e no contágio dos idosos pela fragilidade maior da saúde dessas pessoas. A Itália, junto com a França, se confirmou como o país com maior número de pessoas a atingir a marca de 100 anos entre 2009 até 2019, passando de 11 mil para 14 mil, segundo o Instituto Nacional de Estatísticas (Istat). Cerca de 95% dos mortos italianos estavam acima dos 60 anos, assim como 56% dos infectados. Na Espanha, cuja expectativa de vida também é alta, em torno de 83 anos, o maior número de casos estava na mesma faixa etária. No entanto, como os dois países demoraram a implantar o isolamento, diferentemente da China e da Coreia do Sul, por exemplo, a taxa de letalidade espanhola ficou em 11,66% dos casos diagnosticados e na Itália chegou perto de 11%.

Além de questões sócio-econômicas, outro ponto que difere brasileiros e europeus é a questão cultural. Na Europa, muitos dos idosos mortos viviam em casas de repouso, uma tradição nestes países. No Brasil, a realidade é outra e muitos moram com filhos e netos. No entanto, o que poderia ser considerado um problema, por causa dos jovens se tornando vetores de contágio, acaba não se confirmando. Em instituições onde os idosos ficam em longa permanência, o cenário favorece a disseminação de doenças e o perigo é maior. “Por isso há um conjunto de normas especiais para essas casas reduzirem os riscos”, explica Natan Chehter, geriatra pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia e Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo. Segundo ele, mesmo morando com filhos e netos, muitos idosos estão mais protegidos, especialmente com o isolamento, já que numa residência o entra e sai de pessoas é muito menor que num asilo.

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