Uma utopia no fim do túnel

Falamos sobre “distopia” há tanto tempo em livros e filmes que eu imaginava que estaríamos mais preparados quando ela enfim se tornasse realidade. Não estamos.

O grande problema com essa pandemia é que foi tudo muito rápido. De manhã, o sol brilhava normalmente. À noite,
o mundo parou. A maior decepção foi constatar que esse futuro imposto à força nos trouxe, em vez de carros voadores e robôs, apenas versões mais pobres de nós mesmos — e de pijamas.

Pensei em abordar outro tema nessa minha coluna de estreia, mas como fugir do coronavírus? Ele está
em todo lugar, em todas as conversas. Onipresente como um deus, traiçoeiro como um demônio. Assim como o HIV puniu o sexo, a Covid-19 contaminou o afeto. Não podemos chegar perto ou abraçar quem amamos. É um vírus que destrói não apenas pulmões, mas, infelizmente, nossos corações.

Vamos sobreviver? Claro que sim.

A gente se adapta. Quem tenta planejar o amanhã, porém, não sabe exatamente como será o “dia seguinte”. Sim, porque esse conceito supõe uma manhã em que abrimos os olhos e percebemos que a bonança venceu a tempestade. Até termos uma vacina, não sei como isso será possível. Vejo um festival de rock na TV e me pergunto: nos reuniremos assim novamente? Carnaval em Salvador? Réveillon em Copacabana? Terei coragem de abraçar um estranho em um estádio lotado, quando meu time fizer gol? Tudo já remete a um passado distante, como a época em que fumávamos no avião ou não usávamos cinto de segurança. Teremos que reaprender a compartilhar o espaço com outros seres humanos, sem temer o poder destruidor de um simples espirro na multidão.

Enquanto o amanhã do dia seguinte não vem, sugiro uma atividade prosaica: ver fotos antigas. Outro dia, ao ver a imagem do meu pai em um restaurante, liguei para minha mãe: “Vou pedir o Tagliarini que ele tanto amava”. Ela fez a mesma coisa. A memória gastronômica é uma das razões pelas quais vale a pena estar vivo. Temos que salvar os restaurantes que, de certa forma, nos ajudam a ser quem somos.

O telefone é hoje meu melhor amigo. Acho o termo “distanciamento social” errado. Estamos longe fisicamente, mas manter “distância social”, nunca. E não há nada mais social do que uma longa conversa no telefone. Nada de calls ou vídeos: apenas a voz de um amigo. Pode ser a emoção falando, mas após um bate-papo sempre renasce a esperança. Depois de tanta distopia, é bom imaginar uma utopia no fim do túnel.

O grande problema com a pandemia é que foi tudo muito rápido. De manhã, o sol brilhava normalmente.  À noite, o mundo parou

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