Internacional

Uma trégua na guerra

De olho na reeleição, Donald Trump assina um acordo com a China que esfria a disputa comercial e favorece a economia global. Mas a exportação de soja do Brasil será afetada

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CLAQUE Fazendeiros apoiam o presidente americano: setor havia sido prejudicado e foi fundamental para o acordo, que vai aumentar as exportações (Crédito: Divulgação)


Enquanto no front militar Donald Trump se arma para novas batalhas no Oriente Médio, na área comercial deu um passo importante para desarmar a guerra comercial que trava com a China, ao anunciar um acordo na quarta-feira 15. É uma ótima notícia. O conflito é responsável por desacelerar a economia mundial, trazendo incerteza e freando investimentos. A mera assinatura foi uma sinalização importante de distensão no ambiente econômico e de uma maior abertura comercial internacional.

Tratado sinaliza uma importante distensão no ambiente econômico e uma maior abertura comercial internacional. Mas o resultado é incerto

CASA BRANCA O vice-premiê Liu He e Donald Trump na assinatura do acordo: a China deve incrementar em US$ 200 bilhóes as compras de produtos dos EUA (Crédito:SAUL LOEB)

Foi a maior trégua na disputa de 18 meses entre as maiores economias do mundo. Pela fase 1 do tratado, a China concordou em aumentar em US$ 200 bilhões as compras dos EUA nos próximos dois anos, incluindo serviços financeiros, produtos farmacêuticos, etanol, comida e proteína animal. A China também concordou em ser mais transparente com sua política cambial. Com a expectativa do anúncio, as bolsas de Xangai e Shenzen atingiram os índices mais altos dos últimos dois anos.

O Brasil é afetado diretamente pelo acordo. Quando a guerra esquentou, os chineses praticamente pararam de adquirir soja dos EUA, o que impulsionou as vendas brasileiras. Esse é principal item da pauta de exportações do Brasil à China — foram 78 milhões de toneladas em 2019, ou US$ 28 bilhões. Esse impulso agora pode ser afetado, já que um dos tópicos do tratado visa exatamente facilitar as vendas dos produtores americanos para os chineses. Só em itens agrícolas, a China deve adquirir até US$ 40 bilhões adicionais no primeiro ano — alta de quase 70% em relação ao montante atual. “Os efeitos podem ser ruins para o Brasil, porque a soja é de longe o principal item da pauta de comércio do Brasil — representa cerca de 15% das nossas exportações. Esse acordo deve tanto dificultar a entrada da soja brasileira na China como deve contribuir para o arrefecimento dos preços no mercado internacional”,diz o economista Mauro Rochlin, da FGV.

As cifras otimistas apregoadas por Trump para diminuir o déficit comercial (de US$ 419 bilhões) entre as duas nações são vistas com reserva por especialistas, que acham improvável tamanha expansão num prazo curto. Também consideram que o presidente evitou tocar em pontos de atrito, como o subsídio chinês a indústrias-chave, incluindo os setores de aço e energia solar. O tema da cibersegurança e o controle que a China exerce sobre dados na internet também ficaram de fora. Mesmo assim, Trump anunciou que a China estava se comprometendo em fortalecer a proteção à propriedade intelectual, outro ponto sensível. Para o mundo, os efeitos da guerra comercial ainda não cessaram. Janet Yellen, a ex-presidente do Fed, o Banco Central americano, apontou recentemente que a disputa trouxe incertezas sobre o desenvolvimento tecnológico global, incluindo a expansão da inteligência artificial e da rede 5G.

Taxas pendentes

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A assinatura não marca o fim da tensão entre as duas economias. A “fase 1” diminuiu algumas tarifas e cancelou novas barreiras para celulares, brinquedos e laptops, mas ainda estão em vigor taxas sobre US$ 370 bilhões em importações chinesas anuais. Questões mais delicadas devem ficar pendentes até o final do ano, segundo Trump. O americano mirou as eleições presidenciais de novembro ao aceitar os termos do acordo. Tenta no momento driblar as críticas do setor agrícola, um dos mais afetados até agora pela querela. Conseguiu uma bandeira vitoriosa ao eliminar a guerra contra um inimigo conveniente explorado à exaustão nos discursos oficiais. A assinatura marca uma mudança estratégica no discurso presidencial, que passa a tratar a China menos como uma ameaça à dominação americana e mais como um mercado potencial a ser conquistado. Mas o resultado é incerto. Ao invés de ser a jogada de mestre de um exímio negociador — é essa a imagem que Trump cultivou para chegar à presidência —, o tratado pode se mostrar mais uma bravata populista se a China não elevar o comércio no nível anunciado. A própria cerimônia de assinatura em Washington foi um contraponto em um momento delicado para o presidente. Aconteceu no mesmo dia em que a Câmara anunciava o envio ao Senado do processo de impeachment que encurrala Trump.

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