Comportamento

Uma terapia para derrotar o câncer

Medicamentos orais representam maior certeza de bons resultados — com menos efeitos adversos e menor desconforto ao paciente

Crédito: GABRIEL REIS

COMBATE No hospital, o oncologista Fernando Maluf dedica-se a encontrar a melhor estratégia para enfrentar o tumor: as opções aumentaram com exames biomoleculares (Crédito: GABRIEL REIS)

Todas as enfermidades necessitam de tratamentos que sejam eficazes e deem ao paciente o menor desconforto físico e emocional possível. Isso se torna ainda mais importante nos diversos tipos de cânceres, patologia que, muitas vezes, continua sendo concebida pelo seu portador como se fosse uma irrevogável sentença de morte. O doente necessita ser cercado de fatores que lhe transmitam ânimo e energia – médicos e cientistas, melhor que ninguém, sabem disso. Na área dos males relacionados à oncologia, a boa notícia é que as prolongadas sessões de radioterapia e quimioterapia, a exigirem que a pessoa vá a hospitais ou clínicas e arque com efeitos colaterais que vão da sensação de cansaço à profunda depressão, estão ficando distantes. Cerca de 70% dos tratamentos são atualmente realizados por meio de comprimidos: é uma forma de imunoterapia olhada com bastante otimismo por estar produzindo resultados positivos a cada novo remédio que se descobre.

Linhas de tratamento

Regina Cabral, 67 anos, professora aposentada da Universidade Federal de Minas Gerais, controlou um câncer pelos métodos tradicionais. Deu certo. Os médicos entraram então com tratamento à base de comprimidos para evitar que houvesse recidiva (a volta do câncer). Essa forma de terapia visa a bloquear a mutação do tumor, impedindo o seu crescimento e decorrente disseminação (metástase). Regina vale-se desse remédio para levar atualmente uma vida normal. Segundo Fernando Maluf, diretor médico associado do Centro de Oncologia e Hematologia do Hospital Beneficência Portuguesa, em São Paulo, as drogas orais são uma realidade contra os tumores importantes, a exemplo de tireóide, pulmão, mama, intestino, bexiga e rim. “É o bom resultado clínico aliando-se a uma vida menos incômoda para o portador de câncer”, diz Maluf.

Um exemplo de que essa prescrição terápica veio para ficar, e se aprimora, foi apresentando no Congresso Norte-Americano de Oncologia Clínica: dois anticancerígenos orais impediram o retorno de um câncer de tireóide refratário ao tratamento tradicional com iodo radioativo. O leque de novas opções de combate a neoplasias é amplo e métodos diferentes de tratamento podem ser combinados sem prejuízos maiores ao organismo humano. Uma das opções é a análise molecular, por meio da qual se visualiza todas as alterações e mutações microscópicas que a célula cancerígena apresenta. “Com os marcadores biomoleculares podemos escolher de forma mais assertiva a droga que o paciente deve tomar. É possível dizer com maior precisão qual remédio melhor atuará”, diz Maluf.