Uma revolução no futebol está a caminho. O governo bem que poderia copiar

Uma revolução no futebol está a caminho. O governo bem que poderia copiar

Dizem que um País que não conhece seu passado está fadado a repetir os mesmos erros no futuro. Vou além: empresas, clubes de futebol e até nós mesmos precisamos reconhecer os erros cometidos para jamais cometê-los outra vez.

Infelizmente, o Brasil não só não reconhece seus piores erros como, a cada eleição, faz questão de renová-los com extremo vigor. Ao que tudo indica, em 2022 não será muito diferente, e voltaremos a boicotar nosso próprio País.

No futebol, dos 20 maiores clubes brasileiros, mais da metade está virtualmente quebrada. E muito disso se deve à repetição, ano após ano, de um modelo de gestão amador, movido por paixões clubísticas e extrema irresponsabilidade.

O BRASIL DA SUPERINFLAÇÃO

As novas gerações brasileiras não conhecem, felizmente, expressões como overnight, indexação e correção monetária. Também não sabem o que é receber o salário em um mês e no outro, 30 dias depois, 40% maior, mas com poder de compra 10% menor.


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Pois saiba a garotada, que menos de 30 anos nos separam de um País fora de controle, onde a diferença entre “o que e quanto” comprar, dependia do dia em que se recebia o salário. Às vezes, uma única semana era suficiente para lhe tungar boa parte do poder de compra.

O Brasil em 1990 era uma carreta desgovernada. Não havia gestão, não havia planejamento, não havia controle, não havia nada. Mais do que isso, não havia perspectiva de futuro. Contava-se em dias, e não mais em anos, o prazo para a insolvência total.

PLANO REAL

Em fevereiro de 1994, contudo, nosso destino começou a mudar. Entrou em vigor o Plano Real, que instituiu nossa moeda de hoje e trouxe, além de estabilidade de preços, segurança aos agentes econômicos, com o consequente crescimento da economia.

Mas como todo bom plano, havia começo, meio e fim. De imediato, um período de transição foi implementado, com uma moeda transitória chamada URV. Simultaneamente, medidas de ordem fiscal foram sendo tomadas e leis que garantiriam o processo foram aprovadas.

Em pouco tempo o Brasil se livrou da ameaça da hiperinflação; a economia cresceu de forma sustentada; a renda se elevou; o desemprego diminui; o poder de compra aumentou expressivamente; nossa moeda ganhou valor e o País apontou para um futuro melhor.

OPOSIÇÃO

Como é próprio em regimes democráticos, parte da classe política e governamental, muitas vezes movida apenas pelo sentimento mesquinho de “oposição pela oposição”, criticou, boicotou e sabotou o quanto pode a implantação e aprovação do Plano Real.

Não se muda um País de um dia para o outro, e o rompimento drástico com um modelo de gestão irresponsável, sem fiscalização e a serviço de poucos, em detrimento de toda a sociedade, gerou uma reação de forças contrárias, de igual força e intensidade.

O próprio presidente Bolsonaro, à época já deputado federal, e políticos como o ex-presidente Lula foram contra as medidas que instituíram melhores práticas governamentais; rígidos controles de gastos; regras claras de mercado e abertura comercial, dentre outras.

GOVERNANÇA CORPORATIVA

À época, certos termos comuns ao nosso dia a dia não eram pronunciados nem muito menos, em alguns casos, conhecidos. O grande mérito do presidente Itamar Franco foi não se fechar às ideias – e ideais! – de uma brilhante equipe sob condução de Fernando Henrique Cardoso.

Temas como responsabilidade fiscal, tripé macroeconômico, teto de gastos, crescimento sustentado etc. foram incorporados, à duras penas, em meio a um ambiente de completo corporativismo, gastança e corrupção desenfreada, à gestão pública federal.

Infelizmente, ao longo dos anos seguintes, sucessivos governos e legisladores passaram a romper com os sólidos pilares instituídos pelo Plano Real, e hoje o Brasil encontra-se, outra vez, com contas estouradas, gastos descontrolados e inflação crescente.

O GALO DE ONTEM

Sucessivas administrações passadas, umas por incapacidade e boa vontade, outras por irresponsabilidade e sede de poder, outras ainda por má fé e práticas condenáveis de uso da Instituição em benefício próprio, transformaram o Atlético no “Brasil pré-Plano Real”.

O Galo havia se tornado inadministrável e irrecuperável. Empreguismo, favorecimento pessoal, salários exorbitantes, transações temerárias, mentiras e politicagem – inclusive a política pública – se misturaram, sobretudo nos anos recentes, e destruíram o Clube.

Éramos também uma carreta sem freios, pesada e desgovernada, rumo ao precipício cada vez mais próximo. Uma comparação direta com nosso maior rival local fazia cada vez mais sentido. Ops! Sem querer já me incluí na história, usei “éramos” e citei o caBuloso.

OS QUATRO R’S + 1

Como não há alegria que não acabe nem mal que para sempre dure, justamente no período de maior provação do Clube e de nossas próprias vidas, um grupo de obstinados torcedores, com suas capacidades e contribuições, chegou para render os pecados de outrora.

Não é exagero dizer que em pleno 2020, enquanto a peste assolava o mundo, quatro senhores, e não mais oito meninos no Parque Municipal em 1908, mais um corajoso ex-dirigente do Clube, reuniram-se e refundaram o glorioso Clube Atlético Mineiro.

Me refiro, por óbvio, a Rafael Menin, Renato Salvador, Ricardo Guimarães e Rubens Menin, conselheiros e patrocinadores do novo Galo, e a Sérgio Coelho, o atual presidente e encarregado de ser nosso FHC (melhorado, já que não tentará comprar reeleição, hehe).

O PLANO REAL DO GALO

Rascunhado por empresários de extremo sucesso, com profundo conhecimento das melhores práticas de governança corporativa, está em curso no Atlético um dos melhores, maiores e mais promissores “turn over” empresariais – e esportivo – do momento no Brasil.

Em execução há menos de um ano, uma equipe das mais qualificadas, auxiliada por empresas renomadas internacionalmente, vem trabalhando na construção de uma futura potência mundial do futebol. Sim, mundial! O Atlético se tornará um clube espetacular.

Estádio próprio; dívidas equacionadas; gestões administrativa, financeira e desportiva entregues a profissionais de primeira linha; unidade política interna; novo estatuto à prova de aventureiros… Se há falhas no “Plano Real do Galo”, elas estão muito bem escondidas.

GALO BUSINESS DAY

Em evento virtual – e presencial para poucos, sob rígidas medidas sanitárias – o Galo, de forma inédita no futebol brasileiro, abriu suas gavetas, levantou o tapete, descortinou seus passivos e apresentou, de forma didática e detalhada, seus planos para o futuro.

Toda grande corporação e toda grande marca, com grandes valores de mercado, devem, antes mesmo de ser eficientes, sustentáveis e lucrativas, ser transparentes aos olhos dos clientes (neste caso, torcedores), profissionais do setor e potenciais investidores.

Não se viu, sob quaisquer aspectos, “chutes” ou mesmo estimativas fantasiosas. Ao contrário. A meu ver, tudo ali está devidamente dimensionado de forma bem conservadora. O Atlético, de acordo com o que foi apresentado, está, de fato, à beira de uma nova e próspera era.

PATRIMÔNIO E NOVO ESTATUTO

Ficou muito clara a situação real do Galo. Um Clube dramaticamente endividado, sim, mas com patrimônio, credibilidade e crédito suficientes para não só lhe assegurar a continuidade, mas tempo e recursos financeiros para a implementação do projeto em curso.

Para isso, contudo, é providencial uma reforma estatutária que assegure, ao longo das décadas futuras, a continuidade do trabalho – e o retorno dos investimentos – que estão sendo implementados hoje. Lembram-se do Plano Real e do Brasil que descrevi acima?

Pois é. O Atlético não pode perder, como o Brasil perdeu, o novo norte. Para isso, a alienação de parte do ativo imobiliário do Clube será positiva, e não só para quitar dívidas que sugam milhões em juros anualmente, mas para evitar possíveis arroubos perdulários no futuro.

IMPRENSA

Na época do Real, o Partido dos Trabalhadores fez intensa oposição ao governo. O Atlético, pelo que dizem, está apaziguado. Será? Uma administração que, em menos de meio ano, vem sofrendo críticas e questionamentos impróprios, está mesmo internamente em paz?

É notória, por parte da imprensa mineira – a nacional, então, nem se fala -, certa má vontade e, por que não?, perseguição ao, digamos, “modus operandi” atual de gestão do Clube. Seria ciúme, medo da concorrência ou oposição política rasteira, travestida de informação?

Na imprensa esportiva, conluio de bastidores entre dirigentes, ex-dirigentes e jornalistas não é novo. É uma prática antiga e habitual. Resta saber quem ganha com isso, já que um Galo grande, ou melhor, gigante, só trará benefícios aos próprios profissionais do setor.

FUTURO E JÁ ENCERRO

Deixar a paixão de lado, quando falo do Atlético, é impossível. Mas aqui, neste longo artigo, muito mais que torcida e paixão, segue a realidade nua e crua. Salvo, o que seria impossível, o Galo Business Day ter sido duas horas de mentiras, farsas contábeis e puro ilusionismo.

O Atlético não é gigante por natureza. É gigante por causa dos 9 milhões de apaixonados que acordam, dormem e sonham em preto e branco durante 24 horas. E não há a menor dúvida de que será ainda maior. Duvida? Pois recomendo assistir ao Galo Business Day no Youtube.

Encerro, não como colunista, mas como torcedor, e peço aos atleticanos que não caiam na pilha de maus profissionais, ainda que (maus) atleticanos, que atiram lenha numa caixa de fósforos acesa para verem o parquinho pegar fogo, como querem seus “caixas ocultos”.

E deixo aqui, também como torcedor, meu sincero abraço de gratidão, e apoio incondicional, ao grupo de torcedores denominado 4R’S e o presidente Sérgio Coelho, que por amor ao Galo deixaram suas vidas pessoais e empenham dinheiro e tempo valioso em prol do Atlético.

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Sobre o autor

Ricardo Kertzman é blogueiro, colunista e contestador por natureza. Reza a lenda que, ao nascer, antes mesmo de chorar, reclamou do hospital, brigou com o obstetra e discutiu com a mãe. Seu temperamento impulsivo só não é maior que seu imenso bom coração.


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