Comportamento

Uma realidade alternativa

Demorou, mas a tecnologia do game Pokémon Go passa a ser usada em novos jogos e em aplicativos que aumentam a experiência cotidiana do usuário

Crédito: Divulgação

Quando o Pokémon Go foi lançado, em 2016, a perspectiva de caçar os pequenos bichinhos em ambientes reais por meio da câmera do celular fez com que milhões de jogadores saíssem pelas ruas com seus aparelhos na mão. Foi o aplicativo que escancarou para o mundo o potencial da tecnologia conhecida como realidade aumentada. Por causa de seu sucesso, esperava-se que diversos outros fossem lançados em sequência. Demorou quase dois anos, mas agora a próxima leva já chegou e inclui grandes franquias, como Jurassic Park e The Walking Dead. Os pokémon agora têm companhia.

NO MUSEU Pokémon Go no Louvre, em Paris: realidade aumentada em alta

A mudança se deve principalmente à liberação da plataforma de mapas do Google para desenvolvedores de games. A decisão foi anunciada em março, junto com outras praticidades para quem deseja usar o sistema como base para jogos, como um kit interligando a funcionalidade geográfica ao Unity, uma das principais “engines” usadas em games atualmente. De acordo com a diretora de produtos do Google, Clementine Jacoby, a ideia é usar o sistema de mapas como base para a criação de mundos únicos.

Caçadores de zumbis

Entre as novidades, Jurassic World: Alive coloca dinossauros no caminho dos jogadores. As semelhanças com Pokémon Go são inevitáveis. Quando está próximo de algum animal, o jogador pode usar um drone que coleta DNA do bicho. Após alguns encontros ele pode reproduzi-lo em laboratório e usá-lo em batalhas. Já em The Walking Dead a premissa é outra: em vez de colecionar personagens o objetivo é matar o maior número possível de zumbis.

Além de liberar seus mapas para o uso de terceiros, o Google está lançando um aplicativo de realidade aumentada que, embora não seja um game, também oferece uma experiência lúdica. Usando a câmera do celular e o sistema de busca da empresa, o aplicativo vê o que está na tela e dá mais detalhes sobre pontos relevantes. Aponte o smartphone para uma mesa cheia de revistas e livros e ele te indicará autores, obras e sites para comprar um título. Aponte para um prédio famoso, ou algum ponto turístico, e ele identificará informações relevantes. A tecnologia permite até o reconhecimento de raças de animais e plantas. Em breve o aplicativo dará ao usuário os horários dos filmes quando ele estiver em frente a um cinema ou tocar música quando a câmera focar a imagem de um músico.

Outras ferramentas já estão previstas, como uma integração entre o Google Lens e o Maps. As mudanças fazem parte de uma estratégia da empresa de remodelar seus aplicativos mais antigos e populares usando inteligência artificial para melhorar a experiência do usuário. A Apple também está seguindo na direção da realidade aumentada e lançou o ARKit para desenvolvedores, facilitando a introdução de elementos virtuais em ambientes reais.

O futuro da realidade aumentada parece promissor. Além dos games já lançados, novidades estão a caminho, incluindo um baseado na série de filmes “Ghostbusters”. A Niantic, responsável por Pokémon Go, já anunciou novas ferramentas em seu game mais popular, além de um título ambientado no mundo de Harry Potter.

Concorrentes de Pokémon

Google Lens
Embora não seja um game, oferece o mesmo tipo de experiência divertida. Basta apontar a câmera para um prédio, livro, filme ou obra de arte para receber mais informações sobre elas, obtidas pela ferramenta de pesquisa do Google

Jurassic World: Alive
O título coloca o jogador no papel de um especialista em busca do DNA dos dinossauros. É preciso encontrar diversos fragmentos do mesmo animal para reproduzi-lo em laborátório. É possível criar times para testar os dinossauros em batalhas

The Walking Dead: Our World
Sem o aspecto de “colecionismo” que envolde Pokémon Go e Jurassic World, o objetivo aqui é matar os zumbis da série de TV. É bem mais simples e requer menos movimentação pelo mundo real, mas também garante diversão