Internacional

Uma nova amizade?

Encontro entre o presidente americano Donald Trump e o ditador norte-coreano Kim Jong-un diminui tensão global. Resta saber até quando durarão as boas relações

Crédito: Reuters

HISTÓRIA Pela primeira vez um presidente dos EUA pisa em solo norte-coreano: busca do armistício (Crédito: Reuters)

Os momentos de agressão mútua protagonizados pelo presidente Donald Trump e pelo líder supremo da Coreia do Norte, Kim Jong-un, aparentemente ficaram para trás. O tom das declarações de ambos mudou da água para vinho. Trump, que já chegou a denominar Kim como “pequeno homem-foguete”, atualmente se desmancha em gentilezas ao novo amigo nos tweets que publica e em sorrisos e apertos de mão. O terceiro encontro entre os dois chefes de Estado foi histórico. No domingo 30, Trump rompeu qualquer expectativa, inclusive do serviço secreto, e se tornou o primeiro presidente americano a pisar em solo norte-coreano. Foram apenas vinte passos na Zona Desmilitarizada (DMZ) em direção ao sorridente Kim. O local, conhecido como “a última fronteira da Guerra Fria”, divide a Península Coreana e, ao final da guerra entre as Coreias, em 1953, foi palco da assinatura do armistício.

FORÇA Ivanka Trump, conselheira política do pai, o acompanhou na reunião do G-20 e no encontro com Kim (Crédito:Susan Walsh)

As imagens do encontro impactaram o mundo e o medo de que aconteça uma guerra nuclear diminuiu – se é que em algum momento se pode levar a sério as ameaças de guerra. O encontro durou pouco mais de uma hora. E, apesar de o local ser extremamente vigiado — na Coreia do Sul, pela OTAN, braço militar da ONU, e do lado Norte, pelo exército de Kim Jong-un — a diplomacia prevaleceu. Além do aspecto simbólico, interesses pragmáticos voltaram à baila. Trump quer que testes com mísseis balísticos cessem imediatamente. Além disso, pede que o acordo que prevê a devolução de restos mortais de soldados americanos mortos durante a guerra da Coreia seja cumprido. Já por parte da Coréia do Norte, Kim só aceita negociar a desnuclearização se os EUA encerrarem o bloqueio econômico. “Cruzar aquela linha foi uma grande honra, um grande progresso”, disse Trump. O líder norte-coreano retribuiu os elogios. “É bom ver você de novo. Nunca esperei encontrá-lo nesse lugar”, declarou Kim. Mesuras são mesuras e valem para a promoção da autoimagem. Mas a verdade é que no campo prático nada garante que as relações não voltem a azedar.

Holofote para Ivanka

O encontro na Coreia do Norte também foi importante para fortalecer e dar dimensão internacional à figura de Ivanka Trump Kushner, filha mais próxima e conselheira política do pai. Ela acompanhou Trump durante o evento, já que a primeira-dama, Melania, não esteve presente. Atualmente, ela e o marido, Jared Kushner, integram a equipe de governo, que, por conta disso, sofre acusação de nepotismo. Eles são criticados também por terem acesso a dados e documentos governamentais sem serem funcionários federais. De qualquer forma, o encontro de Trump com Kim deve ter efeitos diretos sobre a corrida eleitoral nos EUA, em 2020. Sua ida à Coreia do Norte torna sua imagem menos agressiva e mais palatável para o eleitor médio.

Irã ultrapassa o limite nuclear

URÂNIO Hassan Rohani, presidente do Irã, confere equipamentos na feira de tecnologia nuclear, em Teerã (Crédito:Ebrahim/seydi)

Mesmo sob os olhares coercitivos da ONU, o Irã ultrapassou o limite de 300 quilos de material nuclear armazenado em seu território, burlando as normas de um acordo internacional firmado em 2015. Ao se defender, o chefe de relações exteriores da antiga Pérsia, Javad Zarif, assegurou não estar violando as regras do jogo. “Não rompemos o Pacto Global de Ação Conjunta, estamos amparados no parágrafo 36”, afirmou nas redes sociais. O termo citado trata de mecanismos para resolução de conflitos entre os signatários. O embate diplomático entre EUA e Irã atingiu, no mês passado, seu ponto mais critico. A Guarda Revolucionária iraniana destruiu um drone de observação dos americanos afirmando tratar-se de uma provocação para guerra. A Casa Branca vai continuar com a “política de pressão máxima” e com o bloqueio econômico ao petróleo, base para o comercio internacional do Irã. “Os americanos parecem desesperados e confusos, o que os fez adotar medidas estranhas e falar coisas sem sentido”, disse o presidente do Irã, Hassan Rohani, em pronunciamento pela TV. “A paciência estratégica de Teerã não significa que temos medo”.