Economia

Uma jornada de 75 anos

Lázaro Brandão deu expediente no Bradesco durante mais de sete décadas e se tornou uma lenda do mercado financeiro. Aos 91 anos, ele entregou sua carta de demissão e vai poder, enfim, acordar mais tarde

Brandão (à esq.) e Trabuco: dedicação umbilical (Crédito:Claudio Gatti)

Pode parecer exagero, mas a verdade é que Lázaro de Mello Brandão começou a trabalhar no Bradesco antes mesmo de o banco paulista existir. O Bradesco comemora seus 73 anos, enquanto seu mais alto funcionário está no batente há 75 anos. Ele deu os primeiros passos profissionais em 1º de setembro de 1942 como caixa na Casa Bancária, instituição que se transformou no Banco Brasileiro de Descontos. Esta história de dedicação umbilical chegou ao fim na terça-feira 10, quando o presidente do Conselho de Administração entregou sua carta de demissão. Aos 91 anos de idade, Lázaro Brandão, que chegava ao banco religiosamente às 7 horas, vai atender ao desejo da família e, enfim, acordar mais tarde. “Um exagero de vida trabalhar assim”, reconhece.

“O atual vice do Conselho, o Trabuco, foi
uma escolha natural. Não teve pesquisa”
Lázaro Brandão, sobre o seu sucessor

ABERTO ÀS INOVAÇÕES

Por várias décadas, Brandão foi o braço direito de Amador Aguiar, fundador do Bradesco. A dupla tornou-se quase uma lenda no mercado financeiro, ao levar o Bradesco para o primeiro lugar entre os bancos do País. Amador tinha perfil mais conservador e Brandão sempre foi mais aberto às inovações. Em janeiro de 1981, numa sucessão mais que anunciada, o amigo substituiu Amador na presidência da diretoria e ali permaneceu até março de 1999. Foi então que chegou ao comando do Conselho de Administração também no lugar deixado por Amador, entregando o cargo executivo a Marcio Cipriano. Em 2009, o bastão passou às mãos de Luiz Carlos Trabuco, que também é funcionário de carreira e está no banco há 48 anos.

Trabuco é novamente o sucessor de Brandão. “O atual vice do Conselho, o Trabuco, foi uma escolha natural. Não teve pesquisa”, explicou Brandão, ao confirmar sua renúncia. Trabuco vai acumular a presidência executiva com a presidência do Conselho. Mas não por muito tempo. Apenas até março, quando ocorrerá a reunião do conselho após a assembleia geral de acionistas já comandada por Trabuco. O estatuto do banco só permite a acumulação de cargos por breve período. E a decisão já está tomada: Trabuco ficará na presidência do Conselho e o Bradesco ganhará um novo presidente executivo.

“O futuro presidente do Bradesco sairá da diretoria executiva “, anunciou Trabuco. Os elegíveis são os sete vice-presidentes executivos do banco. Dois, porém, são novatos no cargo, então a disputa se dará entre os cinco veteranos: a saber, Maurício Minas, Alexandre Gluher, Josué Panchini, Domingos Abreu e Marcelo Noronha. No mercado, o nome mais falado é o de Maurício Minas, responsável pela tecnologia. Mas eleição no Bradesco costuma ser imprevisível. A não ser, é óbvio, quando envolvia Amador Aguiar e Lázaro Brandão.

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