Uma eleição que Bolsonaro vai querer esquecer

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PÉSSIMO SHOW Marcelo Crivella e Bolsonaro dançam em evento evangélico: eles que façam o Carnaval que quiserem, mas nos deixem em paz (Crédito: Divulgação)

Jair Bolsonaro e sua tropa de zeros à esquerda – os filhos 01, 02 e 03 – decidiram transformar as eleições municipais num plebiscito sobre a condução política da pandemia.

Eles têm insistido no apelo para que os eleitores rejeitem candidatos que apoiaram (ou apoiam) medidas de isolamento social, e especialmente prefeitos que interromperam a atividade econômica em suas cidades e agora buscam a reeleição. 

Ontem, num encontro com apoiadores na frente do Palácio da Alvorada, o presidente se disse surpreso com o fato de muitos prefeitos que fecharam o comércio liderarem as pesquisas eleitorais. “Vão votar nos mesmos caras. Não sei o que fazer. Fazer o quê? Tem gente que gosta dessa opressão”, lamentou ele. 

Hoje pela manhã, Carlos Bolsonaro, que concorre à reeleição como vereador no Rio de Janeiro, criticou no Twitter prefeitos que ainda mantêm escolas fechadas.

Quinze dias atrás, coube a Eduardo Bolsonaro pedir que os governantes de algumas grandes capitais “levem o troco nas urnas” por terem “tirado a liberdade do povo na pandemia”.

São altíssimas as chances de o clã quebrar a cara com essa estratégia, que se choca com a realidade de várias maneiras. 

Primeiro, é baixa a adesão à ideia de que o isolamento social, e até mesmo o mais radical lockdown, representaram uma forma de “opressão”. No auge da pandemia, as pesquisas de opinião mostraram consistentemente apoio acima de 60% a essas medidas. Não é difícil de entender: diante de um vírus desconhecido, a maioria das pessoas, ao contrário do presidente, pôs a vida em primeiro lugar. Isso não é ser maricas, como também acha o presidente, é apenas senso comum. Trata-se de ter as prioridades no lugar certo. 

Em segundo lugar, nunca é sábio procurar transpor questões nacionais para o plano dos municípios. Os problemas imediatos pesam muito na escolha de prefeitos: o buraco na rua, a iluminação da praça, a escola bem cuidada, o posto de saúde com atendimento regular. Ideologia e temas que transcendem o poder local costumam ter influência muito menor na escolha dos eleitores. 

Nesse cenário, é provável que a pandemia mais tenha ajudado do que atrapalhado os prefeitos em exercício. Ela reduziu a pressão sobre a entrega de serviços públicos, excetuando a saúde. Quem disputa a reeleição provavelmente o faz com um passivo menor do que em outros anos. E não é pouca gente: mais de três mil prefeitos vão buscar um segundo mandato em 2020. Em 2016, segundo os números do TSE, cerca de 50% dos políticos que tentaram se reeleger tiveram sucesso. Não será surpresa se a proporção for ainda maior agora. 

Em outras palavras, Bolsonaro preparou uma armadilha para si próprio. Se não tivesse falado nada, o resultado das urnas dificilmente seria interpretado como apoio ou rejeição às políticas de combate à pandemia. Essa não é a tônica dominante das disputas municipais. Mas Bolsonaro forçou a aproximação dos dois assuntos, e é altamente improvável que possa apontar os números da eleição como prova de que estava certo no seu jeito de encarar a Covid-19. O trunfo deverá ficar com seus adversários. 

Some-se a isso o fato de que os candidatos apoiados pelo presidente em cidades importantes estão mal das pernas e o cenário fica bem feio. Em São Paulo, Celso Russomano parece a cada dia ter menos chances de chegar ao segundo turno. No Rio de Janeiro, Marcelo Crivella está numa briga acirrada pelo segundo lugar. Bruno Engler, com 4% das intenções de voto, deve ser triturado em Belo Horizonte. No Recife, a Delegada Patrícia caiu do terceiro para o quarto lugar e sua rejeição dobrou. Uma nova pesquisa deve mostrar hoje se o Capitão Wagner perdeu ou ganhou em Fortaleza, depois de receber o endosso do presidente. 

O 15 de novembro deve ser uma data que o bolsonarismo vai preferir esquecer.

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