A semana

Um turco com um quê de latino-americano

Crédito: Murat Kula

NÓS CONTRA ELES Erdogan em discurso na quarta-feira 6: retórica populista (Crédito: Murat Kula)

O italiano Norberto Bobbio (1909-2004) — homem que não tinha medo de destrinchar conceitos, tanto que é coautor do “Dicionário de Política” (Editora UnB), obra de referência no meio acadêmico — considerava especialmente desafiador definir o populismo. Afinal, não se trata de uma doutrina política. Está mais para um conjunto de características e atitudes que compõem um jeito de governar. Populistas costumam expressar a visão maniqueísta de que o povo é uma massa pura explorada por uma elite corrupta e que eles próprios são os escolhidos para romper essa injustiça. Populistas são, portanto, quase sempre líderes personalistas e messiânicos.


Se já era difícil definir, imagine mensurar o populismo. Pois foi o que fez um vasto estudo encomendado por uma organização ligada ao jornal britânico The Guardian, que contou com a participação de 46 pesquisadores com a missão de analisar e determinar o nível de populismo nos discursos de 140 chefes de governo de 40 países. Numa escala de 0 a 2, o brasileiro Jair Bolsonaro foi classificado com um grau de populismo um pouco menor do que o do americano Donald Trump. O estudo afirma também que o presidente turco Recep Erdogan é o único governante de fora da América Latina com uma retórica “muito populista”. Triste reconhecimento.

Imigração
Entrada recorde de ilegais

Hans-Maximo Musielik

É como uma maré irrefreável. A cada dia cerca de 2,2 mil imigrantes latino-americanos entram ilegalmente nos Estados Unidos ao longo da fronteira de 1,9 mil quilômetros com o México. Parece que quanto mais o presidente Donald Trump impõe novas restrições, mais aumenta a urgência de tentar a vida na terra do Tio Sam. Só em fevereiro foram 76 mil pessoas, o dobro do mesmo período no ano passado e o recorde dos últimos doze anos. Essas multidões que se arriscam pela aridez do Texas, Novo México e Arizona chegam esgotadas. A lotação das instalações da Alfândega e Proteção das Fronteiras (CBP) e de abrigos comunitários são um indicador. Faltam médicos para atender centenas de casos de exaustão, desidratação e doenças contagiosas. Desde a semana passada, dezenas de imigrantes deportados que foram separados de seus filhos pelas autoridades voltaram a tentar entrar no país, só que agora mediante pedidos de refúgio à Justiça. Muitas de suas crianças continuam sob custódia.

Justiça
As 24 horas que custaram 72 anos a Paulo Vieira

É difícil acreditar que foi por acaso, mas pode ter sido. Na quarta-feira 6, a juíza Maria Isabel do Prado, da 5ª Vara Criminal Federal, condenou Paulo Vieira de Souza, ex-diretor da Dersa, a estatal paulista de rodovias, a 145 anos de prisão. Se tivesse esperado até o dia seguinte, quando o réu completou 70 anos, sua pena seria reduzida pela metade por causa da idade avançada. Ou seja, ele pegaria 72 anos de cadeia. Envolvido na Lava Jato, foi a segunda condenação de Vieira em uma semana que teve Carnaval no meio.

Despesas
Cartões caros, promessa vazia

Os gastos com cartões corporativos da Presidência da República cresceram 16% nos dois primeiros meses do governo, em relação à média dos mesmos períodos desde 2015, descontada a inflação. O aumento contraria a promessa de extingui-los feita durante a transição, pelo atual ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni. As faturas somam R$ 1,14 milhão. Em relação ao primeiro bimestre de 2018, o aumento foi de 12%. Só com Dilma Rousseff, no início de 2014, os gastos foram maiores.

Polícia
A fantasia não serviu de disfarce para o assassino

Divulgação SSP

Era para ser uma tarde de festa no Circuito Barra, em Salvador, na terça-feira 5. Procurado por homicídio, Marcos Vinícius de Jesus Neri, de 19 anos, achou que jamais seria reconhecido se saísse para a avenida travestido no meio do bloco As Muquiranas. Ao passar de peruca, tiara e blusinha por um dos portais de acesso, os traços de seu rosto foram identificados pelo software de reconhecimento facial adotado pela polícia baiana nesse Carnaval. Ele era procurado desde julho do ano passado e foi detido logo depois. Neri foi o primeiro folião foragido a ser capturado com uso dessa tecnologia.