Cultura

Um sertanista de coração

Museu Histórico Nacional mostra 50 fotografias do conde italiano Ermanno Stradelli, pioneiro da etnografia no Brasil

Crédito: Divulgação

FLAGRANTE Ermanno Stradelli fotografa os indígenas ipurinãs, no Rio Purus, em 1889: respeito à cultura (Crédito: Divulgação)

Em 1879, o jovem conde lombardo Ermanno Stradelli desembarcou em Manaus disposto a explorar a selva amazônica. Já havia estudado português e etnografia nas universidades de Pisa e Siena, onde também tomara conhecimento da riqueza humana dos povos nativos. Mas se apaixonou ainda mais quando entrou em contato direto com os hábitos e a cultura dos indígenas. A documentação fotográfica e as anotações de campo realizadas em três anos são mostradas agora na exposição “Ermanno Stradelli — Fotógrafo pioneiro na Amazônia”, no MNH. Além de documentos e instrumentos de exploração, há 50 ampliações fotográficas, entre as centenas que Stradelli captou em suas expedições. “Stradelli era um humanista”, diz à ISTOÉ a pesquisadora italiana Lívia Raponi, que divide a curadoria com o antropólogo Milton Guran. “Ele atuou quando as aventuras de viajantes europeus eram moda. Mas, diferentemente desses, adotou uma metodologia intuitiva que prefigurou a valorização da cultura do homem amazônico. Sua obra merece ser conhecida pelo grande público.” Museu Histórico Nacional, Rio de Janeiro, 29/11 a 28/2.

A Saga do humanista

Ermanno Stradelli (1852-1925) aventurou-se em dezenas de expedições fluviais pela Amazônia, entre 1881 e 1884. Em vez de apenas registrar e catalogar fatos e objetos, aproximou-se das pessoas, captou suas expressões e escreveu relatos sobre seus costumes, hábitos e língua. Publicou o “Dicionário Nheengatu-Português”. Quando regressou à Itália, lançou a coletânea de lendas “Eiara: Leggenda Tupi-Guarani”, onde, pela primeira vez, divulgou o mito de Jurupari. Em 1893, naturalizou-se brasileiro e trabalhou até o fim da vida como promotor.