Edição nº2547 11/10 Ver edições anteriores

Um robô

Essa semana, no Arizona, uma mulher foi atropelada por um Uber autônomo.

Morreu, coitada.

Não é a primeira vez que um robô mata um ser humano.

Afinal, o que é um carro autônomo senão um robô sobre rodas?

Mas é uma das primeiras vezes que um robô mata alguém assim, comum, como você e eu.

Alguém que sequer trabalhava com robôs, como pode acontecer numa fábrica, por exemplo.

Na verdade, esse carro especificamente é um robô bem meia-boca.

Não é independente, como seria de se esperar.

Precisa de um ser humano atrás de um volante, pronto para intervir caso haja um problema.

Nesse caso, não adiantou nada.

Nem tinha como funcionar, afinal, se as pessoas enviam mensagens de textos e checam o Instagram quando estão dirigindo carros normais, não autônomos, imagine quem está sentado atrás do volante de um carro autônomo.

Isso de veículos se autodirigirem também não é coisa nova.

Uma vez, conversando com um piloto da aviação comercial, soube que os aviões mais modernos são capazes de decolar, voar e aterrizar sozinhos, mas os pilotos gostam de intervir. Ou as companhias aéreas exigem para que justifiquem seus salários.

Mas o acidente com o carro autônomo Uber me deu uma ideia.

Está aí uma ótima solução para o Brasil: ser dirigido por um Presidente Autônomo.

Não precisa ser um robô desses que andam e falam.

Pense comigo: o que um robô meia-boca poderia fazer de mal para o País que nossos seres humanos já não tenham feito?
Sei que não temos dinheiro para desenvolver um robô proprietário, desses que a gente vê em feiras de tecnologia ou nos livros de ficção.

Mas quem sabe poderíamos aproveitar algum sucateado do Japão.

Um em versão beta ou que já está fora de uso.

Primeira vantagem: um robô não tem rabo preso com ninguém.

Pode ser programado para não fazer nenhuma concessão ética.

Se tomar alguma decisão moralmente questionável, ao invés de passar meses usando a estrutura política para se defender, nosso robô simplesmente é desligado e trocado por outro.

E mais.

Nosso robô pode ser apartidário, consequentemente, vai se valer das melhores ideias de cada partido.

Ok. Reconheço.

Hoje em dia é bem provável que não exista nenhuma ideia boa ou ruim em nossos partidos.

Mais uma distorção da nossa falida democracia onde nossos partidos, faz tempo, abandonaram a criação de ideias para o País melhorar e se ocupam, também, em defender a própria pele.

Aliás, estou convencido que deveríamos aplicar essa mesma ideia em todos os poderes, além do Executivo.

Por exemplo, tenho certeza que algum engenheiro brasileiro é capaz de adaptar um desses robôs aspiradores de pó, acostumados a limpar a sujeira, para o Ministério da Justiça.

Inteligência Artificial no Congresso Nacional, uma vez que ali a outra inteligência não existe.

Brigas no STF, nunca mais. Corrupção, esqueça.

Nós, eleitores, ao invés de votarmos no robô, vamos votar nas ideias que deverão compor o sistema operacional do nosso futuro presidente.

Vamos inovar.

Nossa bandeira, orgulhosamente, dirá: “Ordem, Progresso e Algoritmos”.

Seremos a primeira Robocracia do mundo.

Não confundir com Roubocracia.

 


Mais posts

Ver mais
X

Copyright © 2018 - Editora Três
Todos os direitos reservados.

Nota de esclarecimento A Três Comércio de Publicaçõs Ltda. (EDITORA TRÊS) vem informar aos seus consumidores que não realiza cobranças por telefone e que também não oferece cancelamento do contrato de assinatura de revistas mediante o pagamento de qualquer valor. Tampouco autoriza terceiros a fazê-lo. A Editora Três é vítima e não se responsabiliza por tais mensagens e cobranças, informando aos seus clientes que todas as medidas cabíveis foram tomadas, inclusive criminais, para apuração das responsabilidades.