Um réveillon sem pular sete ondas?

Gabriel Monteiro/SECOM
Foto: Gabriel Monteiro/SECOM

O último mês do ano chegou e os preparativos para as grandes festas de final do ano também. Este será o primeiro em que famílias vão poder se reunir com mais tranquilidade visto que a maioria dos integrantes estão vacinados – com exceção daquele tio negacionista que se recusou a tomar o imunizante. Mas alguns planos familiares vão precisar mudar ao longo deste mês de dezembro. Não haverá pé na areia, pulo das sete ondas ou queima de fogos de artifício em avenidas, praças públicas e na beira do mar. O governo e a prefeitura de pelo menos 24 capitais decidiram, em um movimento sábio e certo, cancelar as grandes festas públicas de Réveillon em meio ao aparecimento da nova variante do Coronavírus, a Ômicron, e a quarta onda que cresce diariamente na Europa.

O governador de São Paulo, João Doria, tão logo foi confirmou-se casos da nova cepa na capital paulista, decidiu não só cancelar a festa de ano novo na Avenida Paulista, como também manteve o uso de máscaras em locais públicos – a medida que iria abolir o uso das máscaras começaria no dia 11 de dezembro. O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, também anulou a queima de fogos em Copacabana – uma das festas mais importantes para a cidade carioca, e uma das mais conhecidas do mundo. Segundo ele, a decisão foi tomada com “tristeza”, “mas não temos como organizar a celebração sem a garantia de todas as autoridades sanitárias”, escreveu em sua rede social.

Além de São Paulo e Rio de Janeiro, Campo Grande, Fortaleza, Macapá, Salvador, São Luís, João Pessoa, Palmas, Recife, Aracaju, Brasília (DF), Belém, Goiânia, Vitória, Manaus, Porto Alegre, Natal, Cuiabá, Florianópolis e Maceió, também decidiram que não vão realizar o réveillon este ano. Belo Horizonte, Teresina e Curitiba não tem o costume de realizar a famosa festa de passagem do ano, e devem permanecer assim este ano.

Os governantes estão corretos em cancelar as festas com antecedência. O país está passando por uma ótima fase com os números de casos e mortes caindo diariamente – neste final de semana, por exemplo, o estado de São Paulo chegou ao patamar de menos de mil pessoas internadas pela Covid. No auge da pandemia este número superou os 13 mil. Estudos mostram que 80% dos casos de Covid no país são de pessoas que não tomaram as vacinas. As pessoas estão começando a voltar a sua rotina normal de trabalho, abrindo seus comércios sem restrições de horários, mantendo o distanciamento social e usando máscaras. O que o brasileiro não precisa neste momento é de festas e celebrações que vão exatamente contra o que a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda: aglomeração desenfreada e sem o uso de máscaras.

Apesar das festas públicas começarem a ser canceladas, é importante ressaltar que a preocupação gira em torno das grandes festas particulares que estão liberadas para acontecerem com restrições – com capacidade reduzida e a obrigatoriedade de máscaras. As reuniões familiares, apesar de serem particulares, não são o foco principal, mas sim as festas de ricos empresários em grandes condomínios e de famosos em casas noturnas que costumam ter mais de 1.000 pessoas. Alguém estará fiscalizando essas festas?

Alguns estados já começaram a cancelar ou suspender o carnaval em fevereiro de 2022, como Cuiabá, Campo Grande e Belém. A medida está certa no meio deste mar de incertezas da nova variante, porém ainda é cedo para cancelar eventos que vão acontecer daqui a dois meses. Os primeiros dados sobre os infectados com a nova variante no Brasil são animadores. Nenhum deles teve sintomas agressivos da doença e passam bem. Cientistas começam a afirmar que é improvável que a Ômicron escape da proteção das vacinas.

Apesar de os brasileiros não conseguirem fazer um pedido a cada onda saltada este ano, a lista de promessas, desejos e realizações para o próximo ano continua se estendendo.