Um quadro de 40 milhões de dólares e outras 10 curiosidades sobre Claude Monet

Um quadro de 40 milhões de dólares e outras 10 curiosidades sobre Claude Monet

Um quadro de 40 milhões de dólares e outras 10 curiosidades sobre Claude Monet


Claude Monet é um dos artistas mais conhecidos e amados de todos os tempos. Seu trabalho marcou várias gerações de artistas e continua mobilizando milhões de pessoas ao redor do planeta que buscam contemplar suas pinceladas em importantes museus da Europa e dos Estados Unidos. Agora, mais uma vez, causa agito. Dessa vez, o burburinho partiu da Sotheby’s que venderá em maio uma de suas melhores pinturas de grande escala. A obra “Le Bassin aux Nymphéas” (1917-1919) tem valor inicial estimado em 40 milhões de dólares, mas por ser uma rara oportunidade de compra deve certamente ser leiloada por muito mais do que essa quantia.

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O quadro foi produzido em Giverny, um charmoso vilarejo francês onde ficava a casa do pintor. É grande e chamativo como outras de suas obras instaladas em importantes museus como o MoMA -Museu de Arte Moderna de Nova York. Retrata ‘nenúfares’ (plantas aquáticas) a partir de um estilo abstrato, fazendo uma ponte entre o impressionismo e o expressionismo abstrato, adotado depois por muitos pintores como Mark Rothko, Clyfford Still, Sam Francis e Jackson Pollock. O quadro a ser leiloado foi produzido na mesma época das telas monumentais que hoje estão no Musée de l’Orangerie de Paris.

Monet viveu em Giverny por décadas. Alugou (e depois comprou) uma propriedade e começou a construir um dos jardins mais bonitos do mundo, com direito a uma casa deliciosa, uma ponte de estilo japonês e a um lago, resultado de um desvio que fez no curso das águas do rio Epte. A passarela japonesa e os nenúfares tornaram sua companhia e tema de muitas pinturas, em especial nos últimos anos de sua vida, quando a vista já pregava algumas peças.

Conheça dez curiosidades desse artista que influenciou várias gerações de artistas que, assim como eu, partiram para a pintura abstrata:

1-Desenhava desde criança – Nascido em Paris em 1840, Monet começou a desenhar desde pequeno. Na adolescência, vendia caricaturas a carvão de moradores de Le Havre assinando como “O. Claude” (seu primeiro nome é Oscar e Claude é seu nome do meio). Depois, começou a aprender a pintar a óleo, mas não tinha o apoio do pai. Após a morte de sua mãe (1857), teve que sair de casa para conseguir estudar arte, pois seu pai começou a insistir muito para ele definitivamente assumir a mercearia da família. Em 1861, foi convocado para o exército e seu pai chegou a se oferecer para pagar sua dispensa, caso ele prometesse desistir da pintura. Felizmente, Monet se recusou a abandonar a arte e continuo com compromisso militar até que um ano depois teve febre tifoide quando servia na Argélia. Sua tia, que era uma grande apoiadora, pagou para libertá-lo do exército e o inscreveu em uma escola de arte em Paris.

2-Tentou se matar – Monet adorava pintar, mas não gostava de passar horas e horas reproduzindo as pinturas de grandes mestres, conforme técnica de ensino da época. Seu estilo de pintar na época era rejeitado no começo. Profissionalmente ele era rejeitado e em casa a situação era desesperadora. Vivendo na mais absoluta pobreza e lutando para se sustentar com um filho pequeno em casa, Monet ficou deprimido e tentou se matar. Pulou de uma ponte em 1868. Para nossa sorte, ele sobreviveu à queda no Rio Sena e começou a conviver com outros artistas que também se sentiam frustrados com as restrições da academia de arte da época.

3-Suas obras não eram aceitas – Monet fundou o movimento impressionista ao lado de artistas como Pierre-Auguste Renoir, Frédéric Bazille e Alfred Sisley. Em 1874, Monet formou a Sociedade Anônima de Pintores, Escultores e Gravadores para promover exposições independentes já que seus trabalhos eram constantemente rejeitados pelo Salon de Paris. Entre os artistas bloqueados estavam nomes como Renoir, Edouard Manet, Edgar Degas, Paul Cézanne e Camille Pissarro. Juntos, criaram mais tarde “A Primeira Exposição Impressionista” e conseguiram apresentar ao público um estilo arrojado e inovador de se pintar.

4- Apaixonou-se pela arte japonesa – A arte japonesa despertou a atenção dos pintores franceses, es especial de Monet, que ficou fascinado pelo traço e pelas cores. Começou a estudar artistas asiáticos e a comprar muitas obras japonesas, tornando-se um dos maiores colecionadores de xilogravuras. Uma de suas obras-primas foi inspirada na cultura do Japão. Sua esposa Camille vestiu um belo quimono e foi retratada no quadro “La Japonaise”, produzido em 1876. A ponte e o lago de sua casa de Giverny foram inspiradas nessa cultura que ele idolatrava.

5- Gostava de pintar ao ar livre – Na França da época, todos os artistas pintavam em seus estúdios, muitas vezes com luzes de vela por conta da falta de luminosidade dos dias. Monet foi motivado por seu amigo e mentor, Eugène Boudin, a experimentar a pintura ‘en plein air’, ou seja, ao ar livre. Sair de casa para explorar a natureza, com diferentes luminosidades, deixou Monet maravilhado e motivado para testar vários jogos de luzes, a exemplo do que fez nas trinta telas que retratam a Catedral de Rouen (noroeste da França), em diferentes dias e horários, explorando na plenitude sua paleta de cores para mostrar o sol, a névoa, o amanhecer e o entardecer. Ele dizia que diariamente sempre se surpreendia com algo novo e que ainda não tinha conseguido ver. Antes de iniciar o conjunto de obras, estudou a construção e os efeitos da luz sobre a igreja. Sem dúvida, as pinturas da catedral instigam para uma nova forma de olhar a vida, de sentir a energia do dia e notar a evolução da natureza a cada novo dia. Gerações de artistas estudaram essa série e muitas pessoas mudaram suas concepções sobre a vida e sobre o tempo após verem as obras.

6- Sentiu a natureza, com cores – Monet dizia que a pintura deveria mostrar o reflexo da luz em um determinado momento, sempre lembrando que as cores da natureza mudam todos os dias, conforme a incidência do sol. Seus quadros são como fotos veiculadas em mídias sociais, com o uso diferentes filtros e cores, fazendo com que cada resultado seja completamente diferente dos anteriores. Ele mostrava paisagens e objetos sem fazer contornos, com sombras luminosas e coloridas, gerando uma impressão visual muito impactante. O preto quase não existia nessas pinturas, enquanto um amarelo próximo a um violeta criava um efeito mais real do que um claro-escuro muito utilizado pelos pintores acadêmicos da época. Ele praticamente não misturava tons. Usava cores puras e conseguia diferentes tonalidades com pequenas pinceladas e sobreposição. Olhar para seus quadros é como sentir a natureza na plenitude, sendo que cada detalhe faz a diferença.

7- Teve um barco-estúdio – Monet criou um ‘bateau-atelier’, ou barco-estúdio, a partir do qual pintou muitas obras com cenas de água. Monet foi inspirado por Charles-François Daubigny, um pintor escolar da charmosa cidade de Barbizon que, em 1857, construiu pela primeira vez um estúdio e um pequeno abrigo em seu barco para aproximá-lo da água que ele tantas vezes pintava. Daubigny foi um influente pré-impressionista e amigo próximo do pintor realista Jean-Baptiste Camille Corot, que adorava pintar paisagens. Monet apaixonou-se pela ideia de ter um barco-estúdio e produziu a partir desse local móvel várias obras.

8- Sua primeira esposa o inspirava – A modelo favorita de Monet era sua primeira esposa, Camille Monet. Ele produziu mais de 30 de suas pinturas com sua amada, que também foi personagem de quadros de Renoir e Manet. Pouco depois do nascimento de seu segundo filho, Camille morreu tragicamente aos 32 anos e Monet chegou a retratá-la, inclusive, em seu leito de morte (1879) em uma pintura extremamente marcante. Sua segunda esposa, Alice Hoschedé, destruiu quase todos os registros fotográficos de Camille, além de muitas cartas e lembranças. Fico surpresa sempre com esse ciúme doentio, pois ela já tinha sido casada anteriormente (seu marido empobreceu). Depois de muitos rumores, acabaram ficando juntos e se casando em 1892, após a morte de seu ex-marido. Apenas uma fotografia sobreviveu aos seus ataques e esse retrato de 1871 é mantido em uma coleção particular. Juntos, criaram oito filhos (dois de Monet do primeiro casamento e seis de Alice).

9 – Teve catarata e não parou de pintar – Monet teve catarata e, mesmo com limitações, continuou pintando até o final de sua vida. A jornada de pintura ao ar livre, com excesso de sol, fez com que sua vista apresentasse problemas. Nos últimos anos de vida, essa limitação fez com que suas cores se tornassem mais fortes, com pinceladas mais intensas e movimentadas. As cirurgias da época não eram tão fáceis e seguras como as atuais, mas chegou a ser operado de catarata em 1923. Dizem que foi essa operação de remoção da lente ocular, que filtra os comprimentos de onda ultravioleta, que o fez perceber – e pintar – um espectro de cores tipicamente invisível ao olho humano. Após a cirurgia corretiva, acredita-se que ele conseguia ver cores no espectro ultravioleta.

10 – Produziu e destruiu centenas de quadros com o mesmo tema – Por mais de quarenta anos Giverny foi sua casa, seu lugar de criação e sua obra. Monet produziu mais de 250 obras com imagens de seus dois jardins, construídos cuidadosamente de 1883 até sua morte em 1926. É fato que Monet encontrou um ambiente propício em sua propriedade de Giverny. Sua casa era charmosa, bem iluminada, com paredes amarelas, cozinha azul e grandes janelas. Vale dizer que permanece muito bem conservada até os dias de hoje, assim como seus magníficos jardins, com flores exóticas importadas da América do Sul e do Egito. Mais de meio milhão de pessoas visitam o local a cada ano. A partir de lá, pintou grandes obras primas, mas também se desfez de uma infinidade de pinturas. É chocante, mas especialistas estimam que ele destruiu mais de 500 trabalhos. Em 1908, por exemplo, uma de suas exposições em Paris teve que ser adiada depois que ele enfiou uma faca em pelo menos 15 telas. Na fase que teve catarata, sua raiva era constante e muitas pinturas foram aniquiladas antes mesmo de termos a chance de conhecer.

Digo que Monet destruía telas porque sempre estava em busca da perfeição. Sorte nossa ter sua arte e que pena que ele foi tão exigente. Se pegasse um pouco mais leve, um conjunto adicional de centenas de obras estaria disponível para alegrar as nossas vidas. Se tiver uma boa história para compartilhar, por favor lembre de mim. Aguardo sugestões pelo Instagram Keka Consiglio, Facebook ou no Twitter.


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Sobre o autor

Keka Consiglio é artista plástica, jornalista e empresária do setor de comunicação. Apaixonada por arte desde criança quando começou a estudar o tema, entregou-se de vez a esse universo ao fazer cursos e visitar museus e exposições, tanto no Brasil como no exterior. Desenvolve uma arte livre, criativa, repleta de cores e de elementos baseados em temas cotidianos, tendo a sustentabilidade presente em todo o seu processo de criação. Curiosa e motivada por desafios, vive e trabalha em São Paulo, produzindo suas coleções a partir de dois estúdios. Instagram: @keka_consiglio_artista. Site: www.kekaconsiglio.com.br


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