Semanal

Um presidenciável kamikaze

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É muito difícil acreditar que o marqueteiro João Santana esteja orientando os passos do presidenciável Ciro Gomes. Apesar das reiteradas vezes em que a direção do PDT, por meio do presidente Carlos Lupi, tenha afirmado a parceria com Santana, o DNA de Ciro domina as narrativas nas redes sociais. A única justificativa plausível seria um mapeamento trágico que demonstrasse que o candidato ficou estagnado nas pesquisas e, assim, teria chances menores de tomar o lugar de Lula na esquerda no pleito de 2022. Aí, as táticas mais arrojadas seriam justificáveis. Santana recebe R$ 250 mil mensais e já comprovou ser competente o suficiente nas suas campanhas. Mas será que ele é capaz de domar Ciro?

A estratégia de atacar Lula, Dilma e o PT, mais afasta Ciro do apoio dos eleitores da esquerda do que o ajuda a construir um discurso para cativar esse público. Na verdade, ele precisaria negar tudo o que ele foi até 2018, um político aguerrido, para poder construir um novo Ciro, que às vezes perde a linha e dá golpes abaixo da linha da cintura. Sobretudo na internet. Ele tenta dizer ao mercado financeiro que é uma opção segura, mas isso nem sempre faz sentido. Ele tem se mostrado muito incendiário e os executivos da Avenida Faria Lima não gostam de candidatos com esse perfil político, muito apimentado para o gosto deles.

Os seus adversários, que postulam os votos da terceira via, parecem ser mais bem preparados para uma empreitada nessa raia que ele atua, no centro, embora o cearense se coloque na centro-esquerda. Às vezes, respirar fundo é a melhor das ideias. Doria, especialmente, se apresenta como mestre em seguir um roteiro. Tanto quando foi candidato a prefeito, como quando foi eleito governador do Estado, o tucano soube aguardar os momentos corretos e praticar o jogo eleitoral sem atropelar a sua narrativa. Outros candidatos também esperam o momento certo para se posicionarem. Por que o eleitor escolheria um candidato de outro extremo dentro de um triângulo? Se a pauta das eleições caminhar para um quadro de briga generalizada, Ciro certamente estará no jogo. Caso contrário, e mantendo a atual postura de ataques, ele poderá estar fadado a apenas disputar mais uma eleição presidencial, sem maior sucesso, como aconteceu até aqui, em pelo menos três tentativas de se eleger presidente.