Saúde

Um pesadelo chamado insônia

Quatro em cada dez brasileiros sofrem com o distúrbio, que provoca noites em claro e estresse excessivo

Crédito: ShutterStock

Acordar no meio da noite, ficar horas sem dormir, voltar para cama e nada de o sono chegar. Todos esses sintomas estão ligados à insônia, distúrbio que atinge 40% dos brasileiros, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Um número tão alarmante que pode estar associado ao hábito da vida moderna ou uma doença crônica que precisa ser tratada, como explica a médica Andrea Bacelar, neurologista especialista em distúrbios do sono e membro da Associação Brasileira de Sono. A especialista participou no início deste mês do evento de lançamento do Hotel do Sono, iniciativa da empresa farmacêutica Medley para conscientizar a população sobre a importância de um sono de qualidade.

“Dormir pouco pode antecipar diversas doenças graves e a longo prazo fará muito mal. Não adianta dormir um pouco mais em um dia para compensar a noite mal dormida, as horas de sono não são recuperáveis. Quando o indivíduo sofre com insônia crônica, o ideal é procurar um especialista e tratar com medicamento e tentar mudar alguns hábitos”, diz Andrea. No Brasil, a população sofre com um débito de duas horas de sono por dia segundo dados da Associação Brasileira de Sono.

Outro problema que também está associado a uma noite mal dormida é o uso excessivo da tecnologia momentos antes de dormir. Quem nunca foi para cama e não desgrudou do celular, seja para checar e-mails, olhar as redes sociais e colocar o despertador para tocar no dia seguinte?

Todos esses hábitos podem ser perigosíssimos, principalmente entre os adolescentes. “Existe uma relação com o tecnológico. Os adolescentes tendem a dormir mais tarde, serão adultos doentes, podem ter ganho de peso, queda no rendimento escolar, principalmente durante o ensino médio”, reforça Andrea. O ideal é que os pais flexibilizem o uso do celular na hora do filho ir dormir.


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Outra discussão que vem à tona quando se fala de adolescentes é a questão do horário escolar. Nos Estados Unidos, por exemplo, alguns estados começaram a mudar o horário das aulas para as 9h30 da manhã. No Brasil, quem estuda no período diurno vai para a escola a partir das 7h, o que é considerado por especialistas uma tortura para os jovens. “As crianças e adolescentes estão se adequando às novas tecnologias e com isso dormindo cada vez mais tarde. O ideal seria que as aulas começassem mais tarde. A produtividade e o desenvolvimento melhorariam quase 100%”, afirma Andrea Bacelar.

A polêmica sobre quantas horas por noite são necessárias para um vida saudável ainda continua sem uma resposta definida. Especialistas indicam, pelo menos, de seis a oito horas por noite. Mas, claro, isso varia de indivíduo para indivíduo.

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