Comportamento

Um olhar para o futuro

Grandes empresas apresentam na feira de tecnologia de Las Vegas produtos que tornam a computação onipresente e intensificam relação entre humanos e máquinas

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A Bosch desenvolveu um visor que permite ao motorista enxergar perfeitamente e se proteger da luminosidade (Crédito: Divulgação)

A Consumer Electronics Show (CES) existe desde 1967, mas foi a partir de 1998 que começou a ser mais atraente ao público, principalmente com a mudança no formato para ser organizada, anualmente, em um grandioso centro de exposições em Las Vegas. Com o interesse cada vez maior em gadgets e na cultura tech, as grandes empresas do ramo organizam apresentações e anúncios importantes para a CES, que este ano atraiu aproximadamente 200 mil pessoas entre os dias 7 e 10 de janeiro. Mais do que lançar produtos, o importante é mostrar conceitos do que cada fabricante aposta que será consumido num futuro bem próximo.

Nesse sentido, um conceito parece ser unânime na CES: a conexão absoluta de casas, carros e de qualquer produto durável de consumo. Vislumbrando a difusão do 5G, entre telas dobráveis para televisões e smartphones, carros elétricos inteligentes e assistentes de voz para uso doméstico, a conexão incessante e de alta velocidade é o que se encontra em praticamente tudo. Com a capacidade ininterrupta de processamento, a quantidade de informações pessoais de cada usuário que cada aparelho pode coletar também atrai certa atenção, e é nesse aspecto que edição de 2020 da conferência se diferenciou das outras.
Por causa disso, pela primeira vez desde 1992, a Apple fez uma participação oficial na feira, numa mesma mesa redonda ao lado do Facebook, outra empresa que raramente faz apresentações na CES. Ambas se reuniram para discutir a privacidade de dados, em um evento abarrotado de visitantes que teve até que ser transmitido em outro auditório devido à alta procura. Diante da conexão total, a privacidade é a grande bandeira das duas gigantes daqui para frente, tentando deixar para trás a imagem ruim gerada pelos escândalos como o vazamento de dados de usuários da rede social no caso da Cambridge Analytica e a revelação de que funcionários da Apple ouviam conversas de usuários com a Siri, assistente de voz do iPhone, para aprimorar a experiência da ferramenta. A conectividade e a privacidade devem pautar a indústria de tecnologia para os próximos anos, gerando uma competição curiosa: quem consegue oferecer as funcionalidades mais atraentes sem que o usuário se sinta exposto – se é que ainda seja possível tal sentimento.

Visor virtual

O visor do automóvel (imagem na abertura desta reportagem), muitas vezes utilizado pelos motoristas para se proteger do sol, é algo inalterado há décadas nos veículos. A Bosch afirma que a luz solar é a maior causadora de acidentes entre fenômenos climáticos e, por isso, desenvolveu um visor que permite ao motorista enxergar perfeitamente o que está a sua frente e mesmo assim se proteger da luminosidade. Ele funciona com uma tela de LCD inteligente, que localiza e analisa o rosto de quem está ao volante, escurecendo pontos hexagonais da tela que formam uma proteção para os olhos

Vision AVTR

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A Mercedes-Benz pegou carona na sequência do filme “Avatar”, do diretor James Cameron para divulgar o seu conceito de carro do futuro. Para a montadora, o novo automóvel terá conexão intensa com o usuário, perceberá os elementos ao redor através de mais de 30 sensores, poderá se mover lateralmente com comandos por gestos e será elétrico e sustentável. Mesmo que seja apenas uma ideia, a gigante dos automóveis afirma que seus carros rodarão com baterias de células de grafeno orgânico, que não utilizam metais raros, dizendo ser possível que o veículo tenha autonomia de 700 quilômetros com carga completa. Com a parceria com a superprodução do cinema, talvez o veículo já seja visto novamente nas telonas. Há a suspeita de que o modelo será utilizado em “Avatar 2”, que estreia em dezembro de 2021

 

TV dobrável

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A LG chamou a atenção com uma extravagante televisão de 65 polegadas e resolução 8k que pode ser enrolada ao ponto de caber em uma pequena caixa. A empresa promete que o produto  chegará às lojas até o fim de 2020, confirmando a tendência do desenvolvimento de telas, também para smartphones, tablets e notebooks, que se dobram e podem ser transportadas com mais facilidade. A diferença no caso da TV é que o preço pode ser muito mais salgado que o dos outros dispositivos: especula-se algo em torno de US$ 60 mil. A empresa afirma que o material resiste  a cinquenta mil rolagens, o que corresponde a ser ligada
e desligada oito vezes por dia durante dezessete anos

 

S-A1

David McNew/AFP

A Hyundai anunciou um modelo de carro voador batizado de S-A1, que é elétrico e decola verticalmente, além de ser silencioso. A intenção da empresa é o desenvolvimento de “hubs” em grandes cidades, espécies de helipontos que funcionam como estações para os carros voadores. A montadora anunciou uma parceria com a Uber, projetando um serviço de táxis voadores e uma rede de compartilhamento de viagens aéreas. Em agosto de 2019, a empresa japonesa NEC realizou um teste com um modelo semelhante em um voo que durou pouco mais de um minuto

 

Ballie

David Becker/Getty Images/AFP

A Samsung divulgou o simpático robô que parece uma bola de tênis e cabe na palma da mão. O Ballie pode seguir o dono pela casa utilizando sua câmera frontal e um moderno software de inteligência artificial. Entre as funções dele, estão o monitoramento de segurança e de equipamentos eletrônicos da residência, a assistência para atividades físicas e até fazer companhia para crianças e animais de estimação. O Ballie vai além dos outros assistentes de voz concorrentes por não esperar um comando para agir, ele pode ativar um aspirador de pó automático quando detecta alguma sujeira no chão ou até ligar a Smart TV da casa se perceber a presença do cachorro na sala