Um ministro destemido

Crédito: NELSON JR.

(Crédito: NELSON JR.)

O ministro Alexandre de Moraes, do STF, tem se destacado não apenas como o magistrado mais corajoso dos últimos tempos, mas também como esteio das garantias constitucionais e da manutenção do Estado de Direito. Graças ao seu pulso firme em momentos decisivos em que a democracia esteve sob ataque, como agora, nos quais a extrema-direita, liderada por Bolsonaro e seus asseclas, coloca em risco o tênue regime democrático, o Poder Judiciário tem conseguido frear o avanço dos que desejam o golpe e o retrocesso institucional. Moraes é relator dos quatro processos em curso no STF com o objetivo de investigar o presidente e seus seguidores para isolá-los na tentativa de concretizarem seus propósitos nefastos. Se não forem parados agora, o Brasil pode mergulhar em dias sombrios.

Investigados

Além de Bolsonaro, que é investigado ainda por interferência na PF e prevaricação, os inquéritos relatados por Moraes apuram o envolvimento de pessoas ligadas ao presidente em crimes contra a democracia, como é o caso de Allan dos Santos e os deputados Eduardo Bolsonaro, Bia Kicis, Paulo Eduardo Martins, Caroline de Toni e Daniel Silveira.

Ameaças

Tanto Silveira quanto Allan e o ex-deputado Roberto Jefferson — preso com toda a justiça na semana passada por ameaçar de morte ministros do STF e até senadores — foram parar atrás das grades por decisão de Moraes. Se não tivessem sido contidos pelo ministro do STF, os três certamente estariam concretizando suas ameaças de forma cabal.

Cooptados pelo governo

Luis Macedo/Câmara dos Deputados

Muitos dos 229 parlamentares que votaram a favor do voto impresso pertencem a partidos tidos como de oposição a Bolsonaro. Ele teve votos do PSDB, MDB, DEM, PSB, PDT e até dois do PT se abstiveram. Mas o
que mais chamou a atenção foi a votação maciça de 6 dos 8 deputados do Novo a favor da tese governista, puxados pelo líder da bancada, Paulo Ganime (RJ). O presidente ofereceu algo em troca?

Retrato falado

“É impossível para qualquer BC do mundo controlar a inflação com um ambiente fiscal descontrolado” (Crédito:José Cruz/Agência Brasil)

O presidente do BC, Roberto Campos Neto, é mais uma voz que se levanta contra o aumento dos gastos do governo em ritmo de campanha eleitoral e que estão inviabilizando o controle do déficit fiscal. Ele cita como temerários os programas que elevam os gastos públicos acima do teto, como o Bolsa Família, que vai consumir mais R$ 28 bilhões, além dos atuais R$ 34 bilhões. O presidente do BC explicou que, dessa forma, “é impossível controlar as expectativas inflacionárias”.

Toma lá dá cá

Carlos Sampaio, deputado federal pelo PSDB-SP (Crédito:Gilberto Marques)

Por que Bolsonaro insiste na tese do voto impresso se não há provas de fraudes?
Penso que, antevendo sua derrota, ele faz movimentos para, desde já, questionar a validade da próxima eleição.
O que acha dos ataques de Bolsonaro às eleições e aos ministros do STF e do TSE?
Isso tudo acontece porque Bolsonaro já prevê uma derrota no ano que vem. Por isso, ele desqualifica os ministros das Cortes superiores e o processo eleitoral como um todo.
O que pensa sobre as mudanças eleitorais discutidas no Congresso?
Sou contra o Distritão e a volta das coligações. São modelos que desmerecem os partidos políticos. O Distritão, particularmente, dificulta a entrada de novos quadros na disputa política.

Carestia avança

Não é à toa que Jair Bolsonaro quer aumentar o Bolsa Família em até 50%, estourando o teto de gastos. Depois de ser abandonado pelo PIB da Faria Lima, agora ele está perdendo sustentação também entre os mais pobres. É que, em outubro, o governo deixará de pagar o auxílio emergencial e os descamisados ficarão ao Deus dará. Pior é que a crise está atingindo também a classe média, penalizada pela inflação descontrolada. Levantamento do Procon-SP, em convênio com o Dieese, constatou que a cesta básica chegou a R$ 1.064,79, em julho, com alta de 22,18% nos últimos 12 meses. Ou seja, quem ganha salário mínimo está na pindaíba e abandonará o ex-capitão nas eleições.

Miséria

É por isso que o “índice miséria”, calculado pela LCA Consultores, atingiu 23,47 pontos em maio, o maior valor da histórica. O levantamento é feito com base nos dados do IBGE e considera inflação, desemprego, custo de vida e renda. A LCA estima que em agosto o índice será ainda maior: 24,27 pontos.

Amigo do peito

O senador Fernando Bezerra, líder do governo no Senado, não é o tipo que abandona os amigos. Na distribuição de emendas parlamentares, ele destinou R$ 10 milhões para Pernambuco, seu estado, para a compra de máquinas e caminhões, e a empresa contratada para oferecer os equipamentos foi a HGV Veículos, cujo dono é íntimo da sua família.

Kleyton Amorim/

Propinas

Bezerra também vive às voltas com a Justiça. A PF acaba de indiciá-lo por corrupção e lavagem de dinheiro, e enviou o caso para a PGR decidir se o denuncia ao STF. É suspeito de receber R$ 10 milhões em propinas de empreiteiras quando foi ministro de Dilma. Seu rebento, o deputado Fernando Bezerra Filho, também foi indiciado. Tudo em família.

Kassab monta o time para 2022

Divulgação

Gilberto Kassab aproveitou a festa de seu aniversário na sexta-feira, 13, para reunir o grupo com o qual pretende enfrentar seu ex-aliado, Rodrigo Garcia, candidato do PSDB a governador de São Paulo. Ele quer levar o tucano Geraldo Alckmin para o PSD e ter apoio de Skaf. Só falta combinar com os russos: Doria vai deixar um legado de obras difícil de ser batido.

Rápidas

* O ministro Luís Roberto Barroso, do TSE, que é um tuiteiro assíduo, assistiu à derrota do voto impresso pela TV e permaneceu em silêncio nas redes. Não postou nada a respeito do assunto, mas os funcionários do seu gabinete no STF não economizaram na celebração.

* O governador do Paraná, Ratinho Junior, será o primeiro chefe de executivo estadual a adquirir vacinas contra a Covid diretamente do Butantan, sem precisar passar pela burocracia inepta do Ministério da Saúde.

* Representantes da ONG Avaaz se reuniram com assessores do TSE para apresentar relatórios que apontam para riscos de que haja, no Brasil, eventos semelhantes à invasão no Capitólio, nos EUA, após a derrota de Trump.

* O advogado bolsonarista Jabs Paim Bandeira, de Passo Fundo (RS), decidiu construir uma estátua de Bolsonaro para homenageá-lo. Para evitar depredações, o monumento será de ferro e protegido por guardas armados.


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