Em Cartaz

Um leão mais real que o real

A versão nova versão do clássico musical da Disney pretende reinventar a forma de fazer cinema, mas mantém o roteiro banal

Crédito: 2019 Disney Enterprises

No filme familiar “O Rei Leão”, de John Favreau, o espectador está diante de um paradoxo: é um longa-metragem realista sem atores, mas não pode ser descrito como uma animação genuína. Pode lembrar aventuras antigas da Disney, repletas de animais reais, e também não é isso. A nova versão do desenho animado, de fato, é povoada de animais, embora sejam parcialmente irreais. Afinal, os bichos cantam sucessos compostos por Elton John do desenho animado original, replicado mais tarde nos palcos.
Favreau não sabe dizer se usou live action ou animação. “É difícil explicar”, diz. “É quase magia. Estamos reinventando a linguagem.” Na realidade (se ela ainda existe), o diretor usou imagens fotográficas hiper-realistas para gerar animação digital. O resultado surpreende com imagens que só aproveitáveis em telas gigantescas.
Pena que o roteiro não traga nenhuma inovação. Ele narra a história conhecida do filhote Simba, filho de Mufasa, o soberano das savanas africanas. Quando o tio de Simba, Scar, usurpa o trono da Pedra do Reino, o pequeno leão partirá para a luta sangrenta. Estreia no dia 18/7.

De desenho a musical

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O desenho animado “O Rei Leão”, produzido pelos estúdios Disney em 1994, é uma obra-prima do gênero. O roteirista do novo filme, Jeff Nathanson, acha mesmo que é a melhor animação de todos os tempos. Por isso, tentou manter o espírito do original, que ganhou dois Oscars, pela canção “Cant you feel the love tonight” (Elton John-Tim Rice) e pela trilha-sonora (Hans Zimmer). Em 1997, o desenho ganhou adaptação para o musical, continua em cartaz e se tornou o maior sucesso da Broadway.

AGENDA

TEATRO

Bia Chaves

A peça “Cálculo ilógico” é uma autoficção escrita e encenada pela atriz paulistana Jéssika Menke, com direção de Daniel Herz. Ela leva ao palco as inquietações e dúvidas da personagem Ella sobre a verdade do mundo, que ela busca nas artes e na matemática. Espaço Cultural Sergio Porto, Rio de Janeiro, de 12/7 a 4/8.

MUSICAL
“Gonzaguinha: o eterno aprendiz” chega a São Paulo após temporadas no Rio de Janeiro e em BH, onde teve público de 25 mil pessoas. Rogério Silvestre interpreta o cantor. Teatro Procópio Ferreira, São Paulo, 19, 20 e 21/7.

CIRCO

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Enxame é um coletivo paulistano que pesquisa gêneros e formas. Ele apresenta o espetáculo que dá nome o grupo em várias cidades do estado de São Paulo, a começar pela capital. Teatro Flavio Império, São Paulo, 13/7.

ÓPERA

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“Rigoletto” parodia o rei
Sedução, estupro, cárcere privado, corrupção, vingança e totalitarismo. Esses temas estão nos noticiários, mas também fazem parte da ópera “Rigoletto”, com música de Giuseppe Verdi e libreto de Francesco Maria Piave. A ópera é baseada na peça “O rei se diverte”, de Victor Hugo, censurada por colocar em cena um rei despudorado e mau. A montagem do encenador Jorge Takla e do maestro Roberto Miczuk, propõe uma leitura atualizada da representação. Theatro Municipal de São Paulo, 13 récitas, de 20 a 30/7.

SÉRIE

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O lado sinistro da bola
“Chuteira preta” desmascara o futebol. Em 13 episódios, o jogador Kadu (Márcio Kieling) se deixa enredar por todo tipo de vilania, como drogas, brigas e negociatas. Até a ex-mulher, Flávia (Karin Roepke), simula um estupro para extorqui-lo. “Você é tão pobre que só tem dinheiro”, diz ela. O diretor Paulo Nascimento afirma que parte do futebol é feita de pessoas destrutivas. “Elas tentam tirar o foco da atividade e são uma barreira com a qual os jogadores devem lidar para sobreviver”, diz. Prime Box Brazil, estreia em 13/7, às 21h.