Em Cartaz

Um Dom Quixote ainda mais louco

Em “O homem que matou Dom Quixote”, o diretor Terry Gilliam embaralha ficção e realidade em uma alegoria da liberdade

Crédito: Diego Lopez Calvin

CAVALEIROS O cineasta Toby (Adam Driver) reencontra o ator que fez Dom Quixote (Jonathan Pryce): troca de papéis (Crédito: Diego Lopez Calvin)

A produção turbulenta de “O homem que matou Dom Quixote” alterou o destino e até o enredo do longa-metragem do americano Terry Gilliam. “Foram tantos os acidentes, mudanças e desistências que eu não imaginava no que o filme se transformaria”, diz Terry Gilliam à ISTOÉ. No início, ele imaginou um filme sobre o personagem Dom Quixote. Ao longo de 20 anos, tudo virou pelo avesso. Gilliam enfrentou desde a troca de protagonista, brigas com produtores e até a interrupção de filmagens por falta de verba. O resultado é uma obra de arte saída da imaginação ardente de Gilliam como a alegoria da liberdade. Ele carrega, aos 78 anos, uma vasta filmografia, tanto solo como ao lado da trupe Monty Python, que comemora 50 anos. O filme narra a história de uma produção frustrada. O cineasta Toby (Adam Driver) volta ao interior da Espanha para filmar um comercial, dez anos após ter rodado a saga de Quixote. Lá, revê o sapateiro que fez Quixote (Jonathan Pryce) e uma paixão, Angélica (vivida pela atriz portuguesa Joana Ribeiro). Então mergulha no cenário até ser dominado pelo carisma do Cavaleiro Errante e encarnar Sancho Pança.

Diego Lopez Calvin

30 anos de confusão

> 1989 – Terry Gilliam esboça o argumento para um filme sobre Dom Quixote

> 1998 – Começa a pré-produção

> 2000 – Filmagens em Madri com Jean Rochefort como Quixote. Tudo dá errado, de tempestades e brigas a desistências

> 2014 – John Hurt é convidado para fazer o papel de Quixote

> 2016 – Terry Gilliam (foto) escolhe o elenco definitivo

> 2018 – Filme encerra o Festival de Cannes e participa da Mostra de SP

> 2019 – Estreia no Brasil em 33 salas de cinema