Um dia após prisão, Alerj decide soltar Picciani, Melo e Albertassi

Com 39 votos favoráveis contra 19 e uma abstenção, os deputados da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) aprovaram, nesta sexta-feira, 17, a libertação do presidente da Casa, deputado Jorge Picciani, do deputado Paulo Melo e do líder do Governo, deputado Edson Albertassi, todos do PMDB, presos nesta quinta-feira. O filho de Picciani, Rafael Picciani (PMDB), não votou.

Os parlamentares já deixaram a prisão de Benfica, onde estavam desde esta quinta-feira. A decisão da Alerj também determina que eles retomem o exercício regular do mandato na próxima terça-feira, uma vez que segunda-feira é feriado.

RIO – Com 39 votos favoráveis contra 19 e uma abstenção, os deputados da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) aprovaram, nesta sexta-feira, 17, a libertação do presidente da Casa, deputado Jorge Picciani, do deputado Paulo Melo e do líder do Governo, deputado Edson Albertassi, todos do PMDB, presos nesta quinta-feira. O filho de Picciani, Rafael Picciani (PMDB), não votou.

Os parlamentares já deixaram a prisão de Benfica, onde estavam desde esta quinta-feira. A decisão da Alerj também determina que eles retomem o exercício regular do mandato na próxima terça-feira, uma vez que segunda-feira é feriado.

 O projeto de resolução 577/17 que revoga a prisão e o afastamento do mandato dos três havia sido também aprovado pela maioria dos deputados da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Foram quatro votos a dois na comissão.

A prisão foi determinada na última quinta-feira, 16, por decisão do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2). Os três parlamentares são investigados por propina de empresas do setor de transportes. Após a determinação, os parlamentares se apresentaram à sede da Polícia Federal, na Zona Portuária do Rio.

Protestos

A Polícia Militar usou bombas de gás para dispersar cerca de mil manifestantes que se concentraram em frente à Alerj. O lançamento das bombas provocou correria pelas ruas do Centro do Rio.

O ato começou por volta das 13h, e vinha transcorrendo sem maiores incidentes até às 16h. Segundo os manifestantes, uma liminar da Justiça autorizava o acesso do público às galerias da Alerj, mas com a demora da chegada da decisão um grupo tentou invadir a Assembleia. Foi aí que a PM passou a fazer uso das bombas.

Os manifestantes ocupavam a Avenida Primeiro de Março. Um carro de som, bandeiras de partidos de esquerda e de grupos sindicais também são usados no ato. Os discursos são feitos por líderes de movimentos e pessoas que se apresentam como “cidadãos comuns”.

Um estudante de 20 anos foi atingido por uma bala de borracha na testa, logo acima do olho direito. Fernando Veiga Neves estava próximo às grades que separam os manifestantes do acesso à Alerj e foi atingido tão logo a Polícia Militar passou a fazer uso de bombas de gás para dispersar o protesto, que reunia cerca de mil pessoas.

GALERIAS

As galerias destinadas ao público da Alerj foram lotadas de assessores parlamentares, muitos de crachá, em vez do público. Os manifestantes foram proibidos pelos seguranças da Casa, agentes da Força Nacional e policiais militares de entrar na Casa.

Uma liminar expedida pela juíza Ana Cecilia Argueso Gomes de Almeida, da 6ª Vara de Fazenda Pública do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ),  determinou a liberação, mas a decisão ainda não foi cumprida pela Alerj. O deputado Flávio Serafini (Psol) chegou a dizer que um oficial de justiça estava sendo impedido de entrar na casa e o presidente interino Wagner Montes (PRB) pediu a liberação. Circula nos bastidores da Alerj a informação de que deputados contrários à prisão pediram que assessores ocupassem o espaço.

A juíza argumentou que “a Alerj não pode cercear o direito dos cidadãos interessados de presenciar a sessão, discussão e a votação”. “Restringir o acesso dos cidadãos à Casa do Povo importa em violação ao princípio da publicidade – norteador da Administração Pública em todos os seus atos – ao devido processo legislativo e, sobretudo, ao Estado Democrático de Direito”, afirmou a juíza, em decisão ainda não cumprida pela Alerj, até às 16h29, quando já havia começado a votação.

A Alerj informou que liberou a entrada das pessoas no limite da garantia da segurança de todos os presentes. Segundo a assembleia, não entraram apenas funcionários nas galerias, mas eles têm direito de assistir.

EXPULSÃO

O Psol pediu a expulsão do deputado Paulo Ramos depois que este votou a favor da libertação de Jorge Picciani (PMDB), Paulo Melo (PMDB) e Edson Albertassi (PMDB). Ele contrariou a orientação da bancada e dos outros quatro deputados do partido que votaram a favor da manutenção da prisão.

Em nota, o Psol afirmou que Paulo Ramos “tomou hoje uma altitude inaceitável”. “Dessa forma, o deputado se colocou ao lado da máfia dos transportes, das empreiteiras e de todos aqueles que saquearam o estado do Rio. Ao se colocar ao lado dessas máfias, Paulo Ramos perdeu completamente as condições de permanecer nas fileiras do nosso partido”, diz a nota, distribuída por membros do partido ainda no plenário da Alerj, após a votação.

O deputado, que está afastado do Psol, defendeu o seu voto em plenário. “O judiciário não respeita a Constituição. Hoje, a maioria do Poder Legislativo enfrentou uma decisão extravagante do Poder Judiciário porque a própria Constituição diz que o deputado só pode ser preso em delito flagrante delito ou crime inafiançável”, disse.

VEJA COMO VOTARAM OS DEPUTADOS

Pela soltura dos deputados

Andre Correa

André Ceciliano

André Lazaroni

Átila Nunes

Chiquinho da Mangueira

Christino Áureo

Cidinha Campos

Coronel Jairo

Daniele Guerreiro

Dica

Dionisio Lins

Fabio Silva

Fatinha

Figueiredo

Filipe Soares

Geraldo Pudim

Gustavo Tutuca

Iranildo Campos

Jair Bittencourt

Janio Mendes

João Peixoto

Luiz Martins

Marcelo Simão

Marcia Jeovani

Marcio Canella

Marcos Abrahão

Marcos Muller

Marcus Vinicius

Milton Rangel

Nivaldo Mulim

Paulo Ramos

Pedro Augusto

Renato Cozzolino

Rosenverg Reis

Silas Bento

Thiago Pampolha

Tio Carlos

Zaqueu Teixeira

Zito

Pela manutenção das prisões

Benedito Alves

Carlos Macedo

Carlos Minc

Osorio

Dr. Julianelli

Eliomar Coelho

Enfermeira Rejane

Flávio Bolsonaro

Flávio Serafini

Gilberto Palmares

Luiz Paulo

Marcelo Freixo

Marcio Pacheco

Martha Rocha

Samuel Malafaia

Wagner Montes

Waldeck Carneiro

Wanderson Nogueira

Zeidan