Economia

Um crescimento explosivo

O PIX comemora um ano com uso generalizado, confiabilidade e números expressivos, mas segurança para o consumidor e adoção pelo varejo ainda são desafios

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Sistema de pagamento instantâneo e facilitado pelo celular, febrilmente adotado em tempos de pandemia, o PIX completou um ano no dia 16 exibindo números superlativos. Ele já faz parte da rotina de 62,4% do total da população adulta, considerando os 213,8 milhões de brasileiros (conforme o IBGE). Segundo dados do Banco Central, 104,4 milhões de pessoas já se valeram do recurso para pagar ou receber valores. Nos últimos 12 meses, foram 7 bilhões de transações, com recorde de 50 milhões em um dia (5 de novembro). O volume financeiro movimentado desde novembro de 2020 alcançou R$ 4 trilhões.

Para Leandro Vilain, diretor executivo de Inovação, Produtos e Serviços Bancários da Febraban, os números extrapolaram qualquer previsão. “A pandemia pode ter ajudado, mas o PIX ia decolar de qualquer jeito. Só agora em outubro foi 1,18 bilhão de transações”, diz, assinalando o crescimento espantoso, em relação a outras formas de pagamentos, como cartões de débito/crédito e boletos, enquanto o DOC se manteve relativamente estável e a TED caiu significativamente.

Vilain destaca ainda que o PIX proporcionou “um passo gigante na economia e foi o maior resultado que o Brasil já viveu em questões ligadas a inclusão financeira”. O sistema trouxe para a formalidade muita gente que perdia vendas por não contar com alternativas de pagamento para os clientes, além do dinheiro vivo. Esse universo inclui desde ambulantes, como vendedores de coco, até motoristas de táxi ou pequenos comerciantes. Até esmolas já são recebidas via PIX.

O sucesso era esperado, tendo-se em vista que o BC lançou o PIX após estudar amplamente sistemas adotados em diversos países. Especialistas apontam que o BC conseguiu apreender a experiência bem-sucedida em nações com as mesmas condições do Brasil. O volume de transações mostra que o sistema é resiliente, estável e aguenta um volume assombroso de processamento, observa o diretor da Febraban. “Concentradas no horário comercial, entre 8h e meio-dia e depois das 14h até as 20h, chegamos a 3 ou 4 mil transações por segundo.”

De acordo com o Banco Central, o Brasil é o país que adotou mais rapidamente o esse tipo de sistema de pagamentos, já utilizado amplamente por empresas, bancos e fintechs. Há quase 350 milhões de chaves cadastradas (email, celular, CPF e aleatórias). O grande desafio para a expansão é a adesão do varejo, que ainda é baixa. Isso só será possível com mudanças de hábito, porque é necessária a integração de sistemas por parte dos lojistas (isso poderá ser acelerado porque em outubro o PIX foi integrado ao open banking, projeto do BC que uniformiza pagamentos e informações bancárias). Mas 75% das transferências no primeiro ano ainda foram de pessoa para pessoa. Entre as novas funcionalidades em estudo estão a utilização para saque, troco, pagamento em parcelas e débito automático.

Mas a facilidade também trouxe apreensão. A preocupação mais imediata está na violência urbana, com roubos de celulares sob ameaça, por exemplo. A expansão desse tipo de crime levou o BC a limitar as transferências no período noturno. “Temos um convênio dos bancos com a PF, para compartilhamento e rastreamento de dados desde 2015. É feito um cruzamento, o PIX é totalmente rastreável. É tolice o bandido achar que usando celular pré-pago não vai ser encontrado”, diz Vilain. Agora, a preocupação se volta para os golpes e suas variações, cada vez mais aprimoradas e convincentes — daí as instruções marteladas diariamente por bancos e instituições, alertando clientes para não acreditar em busca de cartões, pedidos de senhas e dados.

“O PIX proporcionou um passo gigante na economia e foi o maior resultado que o Brasil já viveu em questões de inclusão financeira” Leandro Vilain, diretor executivo de Inovação da Febraban (Crédito:CBELLI)

Na terça-feira, 16, novas medidas de segurança entraram em vigor. A principal é a autorização a bancos para bloquear o dinheiro transferido ao banco recebedor, em casos suspeitos ou de alerta do cliente. Mas cada minuto é fundamental, para que a conta recebedora não seja zerada. Com o bloqueio, o cliente é comunicado, para que uma análise seja feita por parte das instituições financeiras. Tais aprimoramentos são bem-vindos e deveriam ser acelerados. Mas o benefício para a população já é evidente, especialmente em um país que tem uma das taxas mais altas de “desbancarizados”. Com o PIX, 45,6 milhões deles passaram a fazer transações bancárias.

COMÉRCIO PIX avança, mas lojas ainda precisam atualizar sistemas (Crédito:Keiny Andrade)