Edição nº2496 12.10 Ver edições anteriores

Um chuchu inconveniente

Responda rápido: quantas vezes você se preocupou em desmentir um boato falso a seu respeito? Excetuando episódios de difamação, convenhamos, talvez nunca. Afinal, que urgência pode existir em contradizer uma acusação vazia? Por outro lado, se o desejo é precisamente o de reforçar um rumor, negá-lo ad nauseam pode ser útil.

Assim faz João Doria, sempre que é confrontado sobre uma possível candidatura sua à Presidência da República. Tal estratégia tem funcionado, contudo o cenário poderia ser ainda mais alvissareiro para o prefeito paulistano se não fossem Geraldo Alckmin e o PSDB, legenda habituada a patinar nas próprias vaidades.

Não por acaso, uma celeuma impensável em outras paragens se repete no seio do partido liderado por Fernando Henrique Cardoso: mais de um nome se apresenta em condições de disputar o pleito em 2018, sendo que apenas um deles vai ao encontro do anseio popular por novidades. E ainda assim cogitam apostar em Geraldo.

Questionar a sua capacidade administrativa de Alckmin requer prudência. No fim das contas, não pode ter sido apenas por excesso de carisma que ele foi eleito governador de São Paulo em duas ocasiões, sem contar os cargos de deputado estadual e federal. Entretanto, o seu tempo já passou.

E não apenas pelo fato de já ter tido a oportunidade de se eleger presidente em 2006, quando foi derrotado por Lula, mas pelo que representa.

O viço de um candidato não pode desviar a atenção do eleitor quando esstee julga o seu plano de governo e capacidade para sugerir ideias. Assim como a sua lisura moral não deve ser tomada como inatacável de antemão, somente pelo vigor de um discurso moderno. Essas e tantas outras ressalvas podem fazer sentido, mas a verdade é que chegou a hora de políticos com quase meio século de vida pública cederem espaço para uma nova geração.

Titubear na hora de tomar decisões importantes sempre foi uma postura detestável por parte dos tucanos. Tanto quando o País esteve melhor, período em que ocuparam o poder, quanto depois, ao se oferecem submissos para o surgimento da nefasta hegemonia petista.

Pois, dessa vez, espera-se que pelo menos concedam ao cidadão a oportunidade de ter uma opção diferente. Com todos os cuidados que esse termo pede, mas também com a esperança de quem está exausto de ser conduzido à urna para votar
nos mesmos nomes.

Chegou a hora de políticos com quase meio século de vida pública cederem espaço para uma nova geração


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