Edição nº2539 17/08 Ver edições anteriores

Um caminhão de estatistas

Lord Acton lamentava que a liberdade sempre tenha contado com poucos amigos sinceros ao longo da história. O que ele queria dizer é que poucos defendem os princípios da liberdade, enquanto a maioria luta por interesses particulares. Nunca isso ficou tão claro como nessa greve dos caminhoneiros.

A situação não está fácil para ninguém. A herança maldita deixada pelo PT foi enorme, o estrago quase afundou de vez com o Brasil. Flertamos com o modelo venezuelano, e deu nisso. A população está revoltada, saturada do establishment, descrente das instituições.

Diante desse quadro, a alta do dólar e do combustível foi a gota d’água para os caminhoneiros. Em uma reação desesperada, eles partiram para essa paralisação que gerou tanta tormenta à população. Compreensível, claro, mas não é por entender os motivos que vamos aplaudir os métodos.

Infelizmente, muitos que se dizem conservadores, mas parecem “revolucionários de Facebook”, embarcaram nessa canoa furada, jogando lenha na fogueira de forma irresponsável, pregando a queda do “sistema” faltando meses para uma eleição. Insuflaram as massas revoltadas como se os caminhoneiros representassem libertadores, não um grupo de interesses lutando por privilégios. O resultado? Estado intervindo mais ainda, apesar de a intervenção estatal ser parte do problema.

Se Bolsonaro agiu de forma populista nesse caso, Ciro Gomes, por sua vez, deu uma entrevista lamentável ao programa Roda Viva. Citou o terrorista Che Guevara com orgulho, pregou mais Estado para tudo, e chegou a acusar a população venezuelana, que luta desesperada contra uma ditadura, de “fascista”. É o cúmulo do absurdo!

Já um conhecido ativista historiador, num programa de rádio, em vez de atacar a estatal Petrobras, instrumento de demagogia há décadas, preferiu cuspir no mercado, e disse, demonstrando ignorância profunda no assunto, que sem o Estado não haveria industrialização em nosso País, pois capitalista não investiria a longo prazo. Bobagem!

Esses são nossos políticos e formadores de opinião: quase todos nacionalistas e estatistas. Poucos são os que defendem o livre mercado, o caminho árduo e lento das reformas estruturais, da construção de instituições mais sólidas. A maioria prefere jogar para a plateia, oferecer soluções mágicas, se colocar como messias salvadores que vão, por meio do próprio Estado, resolver nossos males de cima para baixo, com mais intervencionismo e dirigismo. Oferecem mais do veneno que nos trouxe até essa situação.

Nos Estados Unidos de Donald Trump faltam 50 mil caminhoneiros para dar conta de tanta demanda. No Brasil, os caminhoneiros mergulham o País na barbárie em troca de vantagens, e ainda são tratados como heróis por nossa “direita”. É duro.

Flertamos com o modelo venezuelano, e deu nisso. A população está revoltada, saturada do establishment, descrente das instituições


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