Um ano de coronavírus: negacionistas e irresponsáveis venceram

Crédito: Reprodução/ Facebook

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Há exatamente um ano, este maldito novo coronavírus, após sair do oriente e atravessar todo o ocidente, desembarcou no Brasil, de mala e cuia, e se tornou mais um dentre nossos tantos e tamanhos dramas cotidianos. Como eu sempre digo, se Deus é mesmo brasileiro, Ele tirou férias e até hoje não retornou para sua terra natal.

Corrupção mata? Sim, mata. Bastante! E convivemos com esta praga ininterrupta há séculos. Dengue, malária, febre amarela, desnutrição, diarreia… Violência urbana e doméstica, tráfico de drogas, acidentes, falta de atendimento hospitalar… Eu sei, leitor e leitora amigos, não é só a Covid que mata, não. Mas também ela. E muito.

Uma boa parte da população brasileira, motivada pelo pensamento mesquinho e ignorante de negacionistas, dentre os quais se destacam o presidente Bolsonaro, a quem costumo chamar de “devoto da cloroquina”, e influentes e respeitados jornalistas – e até médicos – foi tomada pelo raciocínio acima e deu de ombros para o vírus.

Na visão tosca e pra lá de simplista, além de egoísta e irresponsável dessa gente aloprada, se há outras “causa mortis”, que a Covid-19 se torne mais uma dentre tantas, afinal o País e seu povo se acostumaram a viver diante de tragédias humanitárias mortais, como enchentes, deslizamentos e assassinatos diários.

Além disso, “a vida não pode parar”. Além disso, “todos morreremos um dia”. Além disso, “e daí?”. Além disso, “temos de enfrentar o vírus como homens, não moleques”. Além disso, “o povo tem de deixar de ser maricas”. Além disso, por último, mas não menos importante, “há o tratamento precoce, aí, que salva vidas, talquei?”.


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A China e a Europa ensinaram: usem máscaras, lavem sempre as mãos, higienizem-se com álcool em gel, protejam seus idosos e os doentes crônicos, e, mais do que tudo, isolem-se, distanciem-se, jamais se aglomerem e, quem puder, fique em casa! Mas não aprendemos as lições e colhemos um 2020 triste e devastador.

No final do ano passado, mais avisos após as férias de verão e o Dia de Ação de Graças nos Estados Unidos: uma segunda onda, ainda mais forte e letal, está a caminho. Não descuidem das medidas de proteção! Novamente, demos de ombros. E pior: festejamos as festas de fim de ano como nunca, e o resultado aí está.

Veio o carnaval e mais viagens, mais aglomerações. O presidente e o governo continuaram a campanha de demonização contra o que chamam de “lockdown”. Mas jamais tivemos um até então. Somente agora, algumas cidades menores, à beira do colapso, ensaiam algum tipo de isolamento radical. Só que, literalmente, a Inês já é morta.

Para Bolsonaro, usar máscaras é “o último tabu a cair”, e ficar em casa é coisa de comunista. Muitos dos prefeitos e governadores que apoiaram esse tipo de insanidade, hoje assistem ao caos como resultado. Manaus que o diga! Assim como 12 dos 26 estados brasileiros, além do Distrito Federal, completamente colapsados pela doença.

Para piorar o que já é pra lá de péssimo, enquanto o mundo civilizado se vacina e se previne, por aqui continuamos a mercê de cloroquina e reza brava; sem vacinas, seringas e agulhas, e ainda sob uma avalanche de políticas e declarações genocidas do governo federal, do próprio presidente e de vários de seus apoiadores nas redes sociais.

Nesta quinta-feira (25), véspera do primeiro “aniversário” da Covid no Brasil, batemos o nosso próprio recorde diário de mortes e de novos contaminados. Mais de 1.5 mil mortos e quase 60 mil novos casos, em apenas um único dia. Parece pouco? A mim, não. A mim me parece uma enormidade inaceitável, mas para muitos ainda é pouco, sim.

De forma cínica e irônica, encerro esse longo texto, essa espécie de desabafo, e “parabenizo” todos os envolvidos nesta tragédia, que, com louvor, ajudaram a ceifar mais de 250 mil vidas humanas, e a transformar o dia a dia dos parentes e amigos dos que se foram, numa espécie de carne viva incurável, que jamais cicatriza e arde a cada segundo.

A estes, meus mais sinceros votos de consolo. Eu sei o que estão sentindo.

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Sobre o autor

Ricardo Kertzman é blogueiro, colunista e contestador por natureza. Reza a lenda que, ao nascer, antes mesmo de chorar, reclamou do hospital, brigou com o obstetra e discutiu com a mãe. Seu temperamento impulsivo só não é maior que seu imenso bom coração.


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