Brasil

Ultrajante e racista

Sérgio Camargo, da Fundação Palmares, elaborou uma lista medonha em que deixa de fora homenagem aos negros que mais contribuíram para o movimento no País

Crédito: Pedro Ladeira/Folhapress

“Eles são negros por conveniência e não têm contribuição relevante para a população negra do Brasil.” - Sérgio Camargo, presidente da Fundação Palmares (Crédito: Pedro Ladeira/Folhapress)

RESISTÊNCIA Notórias defensoras da causa negra, Marina Silva (à esq.) e Benedita da Silva, são atacadas pelo presidente da Fundação Palmares (Crédito:Vanessa Carvalho | Luis Macedo/Câmara dos Deputados)

O presidente da Fundação Cultural Palmares, Sérgio Camargo, que apesar de ser negro declarou, em junho, que o movimento negro “é escória maldita”, conseguiu se superar em matéria de obscurantismo e ignorância. Ele elaborou, esta semana, uma lista com o nome de personalidades da comunidade negra excluídas por ele do panteão de homenageados pela entidade que preside e que tem por função estatutária preservar a memória da cultura negra no Brasil. De forma monocrática e irracional, Camargo incluiu em sua lista pessoas como a ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, a cantora Preta Gil, os deputados Benedita da Silva (PT-RJ), David Miranda e Talíria Petrone, ambos do PSOL-RJ, além do ex-deputado Jean Wyllys. Para ele, essas personalidades “são negros por conveniência” e “não têm contribuição relevante para a população negra do Brasil.” A reação da comunidade negra brasileira foi de indignação. Cientistas políticos ouvidos por ISTOÉ dizem que Camargo foi “ultrajante e racista”, como disse um professor da PUC-SP. Ele afirmou ser “inacreditável que um personagem à frente de um órgão do governo encarregado de combater o racismo seja capaz de tirar do quadro de homenageados da raça negra alguém como Marina Silva e Benedita da Silva, notórias representantes da comunidade afrodescendente”.

O advogado Zito Alvarenga, uma das lideranças do movimento negro de São Paulo, disse que o presidente da Fundação Palmares não representa a comunidade e “que ele está se portando mais como um destruidor da causa negra no Brasil do que como o líder de uma entidade que deveria defender os nossos interesses.” Para Zito, negar que o racismo no Brasil é estrutural é de grande insensatez. “De cada dez pessoas mortas pela polícia, sete são negras”, afirmou. A Rede, partido ao qual pertence a ex-ministra Marina Silva, divulgou uma nota contestando as declarações de Camargo. “Repudiamos esse ataque à nossa história, em especial à história dos negros do País”, diz a nota. “Trata-se de lamentar a degradação da gestão pública em nosso país, o desmonte de nossas conquistas sociais, culturais e econômicas até aqui. Temos que repudiar que os nossos impostos sejam usados na remuneração de uma pessoa tão medíocre para dirigir instituições que têm papéis muito importantes na nossa organização institucional”, disse a Rede.

Já a deputada Talíria Petrone declarou que Sérgio Camargo “ataca a memória dos que vieram antes de nós na luta contra o racismo estrutural.” Para ela, “a postura de Camargo, baseada em arroubos autoritários típicos do bolsonarismo, definitivamente não condiz com o cargo que ocupa. Não é este homem, com esta postura que reproduz o racismo e envergonha nossa história de resistência, que irá questionar minha realidade enquanto mulher negra. Está mais do que na hora de devolver a Fundação Palmares ao povo, ao qual ela deveria servir”, disse. “A permanência de Sergio Camargo no cargo da entidade envergonha todo o brasileiro consciente da luta do povo negro contra séculos de racismo estrutural e opressão”, completou o deputado David Miranda. Camargo, que afirmou recentemente que não houve escravidão no Brasil, deveria ser sumariamente afastado da Fundação Palmares, uma entidade mantida com dinheiro público.

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