Israel atingiu “dezenas de alvos” nesta quarta-feira (4) no Irã e lançou “ataques em larga escala” na capital da República Islâmica, enquanto Teerã afirma que tem o “controle total” do estratégico Estreito de Ormuz.
Confira os acontecimentos mais recentes do conflito deflagrado por um ataque de Israel e dos Estados Unidos em 28 de fevereiro contra o Irã.
– Ataques em “larga escala” no Irã –
O Exército israelense anunciou nesta quarta-feira que atingiu dezenas de alvos no Irã e “iniciou uma série de ataques em larga escala contra alvos do regime” em Teerã.
Um avião israelense F-35 derrubou um caça iraniano YAK-130 sobre Teerã, segundo o Exército, que também relatou um ataque contra um centro militar subterrâneo secreto do programa nuclear do Irã na região da capital da República Islâmica, no qual destruiu “um elemento-chave da capacidade do regime iraniano de desenvolver armas atômicas”.
As forças dos Estados Unidos atacaram “quase 2.000 alvos” desde o início da guerra, indicou na terça-feira um comandante militar.
A mesma fonte destacou que os bombardeios das primeiras 24 horas foram duas vezes mais intensos que os do início da invasão do Iraque em 2003.
– Israel amplia ataques no Líbano –
Israel intensificou nesta quarta-feira os bombardeios no Líbano. As forças do país atacaram a área que abriga o palácio presidencial, perto de Beirute, vários pontos ao sul da capital e redutos do grupo pró-iraniano Hezbollah.
Um novo ataque atingiu a periferia sul de Beirute, depois que o Exército israelense emitiu uma ordem de evacuação.
Um bombardeio teve como alvo um hotel em Hazmieh, subúrbio cristão de Beirute, próximo do palácio presidencial e de várias missões diplomáticas.
Antes, ataques israelenses mataram pelo menos 11 pessoas no sul da capital e em Baalbek, segundo o Ministério da Saúde e a imprensa estatal.
– Irã dispara mísseis contra alvos americanos e israelenses –
A Guarda Revolucionária, o exército ideológico do Irã, anunciou nesta quarta-feira que lançou mais de 40 mísseis contra alvos americanos e israelenses, sem revelar mais detalhes.
Um míssil iraniano atingiu na terça-feira a base militar americana de Al Udeid, no Catar, sem provocar vítimas, segundo o Ministério da Defesa catari.
O Irã não tem a intenção de negociar com os Estados Unidos e está preparado para uma guerra longa, declarou nesta quarta o principal conselheiro do falecido líder supremo Ali Khamenei.
O Irã se encontra “em estado de guerra” e atuará com “firmeza” contra aqueles que atuam contra a República Islâmica, advertiu o chefe do Poder Judiciário.
– Funeral para Khamenei –
O funeral de Estado de Ali Khamenei, que morreu no sábado durante os ataques de Israel e dos Estados Unidos, e que inicialmente estava previsto para começar na noite desta quarta-feira, com duração de três dias, foi “adiado”, informou a televisão estatal.
“A cerimônia de despedida do imã mártir foi adiada (…) diante da previsão de uma participação sem precedentes”, afirmou a televisão estatal. A nova data será “comunicada posteriormente”, acrescentou.
Khamenei, que tinha 86 anos, será enterrado na cidade sagrada de Mashhad (nordeste do país), de onde era natural. Ele governou o país por quase quatro décadas.
– Sucessor de Khamenei será alvo, alerta Israel –
O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, ameaçou eliminar qualquer dirigente iraniano escolhido para suceder a Khamenei.
“Qualquer dirigente eleito pelo regime terrorista iraniano (…) será alvo de assassinato, não importa o seu nome nem onde se esconda”, afirmou Katz na rede social X. “O primeiro-ministro e eu ordenamos ao Exército que se prepare para agir por todos os meios necessários para cumprir esta missão”, acrescentou.
– Irã anuncia “controle total” do Estreito de Ormuz –
A Guarda Revolucionária iraniana anunciou que tem o “controle total” do Estreito de Ormuz, ponto estratégico para o comércio mundial de petróleo na entrada do Golfo Pérsico.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse na terça-feira que a Marinha de seu país poderia escoltar petroleiros em Ormuz “se for necessário”.
– Impacto financeiro –
O petróleo prosseguia em alta nesta quarta-feira. O barril de Brent do Mar do Norte subia 2,83%, a 83,70 dólares. Na terça-feira, a cotação superou 85 dólares pela primeira vez desde julho de 2024.
As Bolsas asiáticas seguiram a tendência de Wall Street, que fechou em queda na terça-feira, tensa com o risco de uma crise prolongada no Oriente Médio e suas consequências para a inflação, com os valores de tecnologia especialmente afetados.
A Bolsa de Seul perdeu mais de 12%, enquanto a de Tóquio recuou 3,6% no fechamento. Na Europa, as Bolsas abriram de maneira estável, após duas sessões no vermelho.
– Evacuações –
Um primeiro voo com cidadãos franceses que estavam bloqueados no Oriente Médio pousou no aeroporto Charles de Gaulle, perto de Paris, na manhã desta quarta-feira. Espanha, Alemanha e Reino Unido também estão organizando processos de retirada.
– França e Reino Unido enviam reforços –
A França anunciou o envio de reforços militares ao Oriente Médio, incluindo o porta-aviões Charles de Gaulle e aviões de combate Rafale. O Reino Unido anunciou o envio de um navio de guerra e de sistemas antidrones para proteger suas bases no Chipre.
– Espanha diz “não” à guerra –
O primeiro-ministro espanhol, o socialista Pedro Sánchez, respondeu nesta quarta-feira com um “não à guerra” às críticas de Trump por não ceder as bases do país para os ataques ao Irã.
“Não seremos cúmplices de algo que é ruim para o mundo e também contrário aos nossos valores e interesses, simplesmente por medo das represálias de alguém”, acrescentou Sánchez.
O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, considerou que os ataques de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã “à primeira vista, parecem não estar em conformidade, ou que são incompatíveis com o direito internacional”.
– Irã atacaria primeiro, afirma Trump –
Trump afirmou na terça-feira que o Irã iria “atacar primeiro”.
“Acho que eles iam atacar primeiro e eu não queria que isso acontecesse. Então, de certo modo, talvez eu tenha forçado a mão de Israel”, disse o presidente à imprensa durante uma reunião com o chanceler alemão, Friedrich Merz, na Casa Branca.
O Pentágono identificou na terça-feira quatro dos seis militares americanos que morreram na guerra. Eles faleceram em um ataque com drone no Kuwait.
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