Documentário revisita últimos anos de Fellini no Festival de Roma

“Ultimo Fellini”, dirigido por Gianluigi Attorre, reúne lembranças de Benigni, Scorsese, Nicola Piovani e outros parceiros do cineasta italiano

Documentário revisita últimos anos de Fellini no Festival de Roma

A voz de Federico Fellini conduz a narrativa de “Ultimo Fellini”, documentário dirigido por Gianluigi Attorre que revisita a última década de vida e criação do cineasta italiano. O longa foi apresentado nesta sexta-feira, 17, na 21ª edição do Festival de Cinema de Roma, na seção de Exibições Especiais.

A produção chega às vésperas dos 33 anos da morte de Fellini, ocorrida em 1993, e propõe um olhar sobre a fase final da trajetória de um dos nomes mais influentes da história do cinema.

Depoimentos de parceiros e admiradores

O documentário reúne relatos de Roberto Benigni, Martin Scorsese, Milo Manara, Vincenzo Mollica, Nicola Piovani e Fiammetta Profili. Cada um dos convidados relembra, de uma perspectiva própria, a convivência com Fellini e a permanência de sua obra no imaginário cultural italiano.

Benigni trabalhou com o diretor em “A Voz da Lua”, último longa-metragem de Fellini, lançado em 1990. Piovani, por sua vez, assinou trilhas de filmes como “Ginger e Fred” e “A Entrevista”. A presença de Scorsese reforça o alcance internacional de uma filmografia que influenciou gerações de realizadores.

Arquivos e a última fase criativa

Com 113 minutos de duração, “Ultimo Fellini” combina testemunhos, imagens de arquivo e materiais inéditos para reconstruir os anos em que o diretor continuou a desenvolver projetos e ideias, mesmo diante das transformações da indústria cinematográfica.

A obra foi produzida pela Atomic e coproduzida pela Rai Cinema e pela TNM Produzioni. Segundo a sinopse divulgada pelo festival, a pesquisa que deu origem ao documentário levou três anos e incluiu arquivos privados e materiais ligados ao jornalista Vincenzo Mollica.

Um retrato além do mito

Conhecido por obras como “A Doce Vida”, “8½”, “Noites de Cabíria” e “Amarcord”, Fellini construiu um cinema marcado pela imaginação, pelo olhar sobre a Itália e pela mistura entre memória, fantasia e realidade.

Ao concentrar-se em seus últimos anos, o novo documentário busca deslocar o foco da imagem já consagrada do mestre para revelar a persistência de sua atividade criativa e a rede de colaboradores que o acompanhou até o fim da vida.

Da IstoÉ e ANSA