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Últimas tropas russas deixam Cazaquistão, anuncia governo

ROMA, 19 JAN (ANSA) – As últimas tropas russas que foram ao Cazaquistão para ajudar o presidente Kassym-Jomart Tokayev a reprimir os protestos civis contra o aumento no preço dos combustíveis deixaram o território nesta quarta-feira (19), informou governo.   

Os últimos soldados eram liderados pelo general Andrei Serdyukov e foram enviados ao país por meio do Organização do Tratado de Segurança (CSTO) – que, além da Rússia, reúne outras cinco ex-repúblicas soviéticas.   


Os cerca de dois mil militares, que chegaram na primeira semana do ano, começaram a sair do Cazaquistão em 13 de janeiro após uma conversa telefônica entre Tokayev e Vladimir Putin. Eles atuaram na segurança de pontos sensíveis nas principais cidades do país, incluindo aeroportos, e ajudaram as forças de segurança cazaques a reprimir os protestos.   

Nesta quarta-feira, fontes da embaixada da Itália no país informaram que o número de mortos nesses atos contra o governo subiu para 225, sendo 19 deles policiais ou agentes das forças de segurança nacionais. Mais de 1,7 mil pessoas dos dois lados ficaram feridas e precisaram de atendimento hospitalar e 1,2 mil empresas e 100 centros comerciais foram danificados durante os protestos.   

Oficialmente, o governo fala de 165 mortes de “extremistas e terroristas” e 12 de agentes de forças de segurança. A Procuradoria-Geral informou que “os tribunais consideraram 8.354 casos administrativos relativos a esses eventos e 3.337 receberam apenas uma notificação, sem prisões ou multas”.   

Atualmente, 1.002 pessoas estão detidas por participarem dos protesto.   

“Ao mesmo tempo, foram indiciadas 695 investigações preliminares sobre casos graves e particularmente graves, incluindo 44 casos de terrorismo, 15 casos de homicídio e seis casos de propaganda para tomar o poder. Foram 780 pessoas presas como suspeitas, 695 das quais foram condenadas à prisão”, informa ainda a nota.   

O Cazaquistão é um país que vive sob um governo autoritário e, desde o fim da União Soviética, em 1991, teve apenas dois presidentes eleitos em pleitos bastante questionáveis. Os protestos civis são muito raros, sendo o único que se tinha registro antes de 2022 ocorrido há três anos.   

Os atos começaram questionando o fim do controle do governo no preço do gás liquefeito de petróleo (GLP) que é usado nas residências e também nos veículos, o que provocaria um aumento no valor final. Durante os protestos, o governo do primeiro-ministro Askar Mamin caiu e Tokayev determinou a suspensão da medida sobre o GLP por seis meses. (ANSA).