Uefa mantém boicote e diz que perdeu confiança em Gianni Infantino

Confederação europeia mantém postura crítica e alega que condições para retomada do diálogo não foram atendidas

Uefa mantém boicote e diz que perdeu confiança em Gianni Infantino

A União das Associações Europeias de Futebol (Uefa) reafirmou nesta quinta-feira (6) que manterá o boicote às competições organizadas pela Fifa. A entidade declarou não confiar mais no presidente da organização, Gianni Infantino, citando a persistência de motivos que levaram ao rompimento.

  • A UEFA mantém o boicote às competições da Fifa, declarando perda de confiança no presidente Gianni Infantino.
  • A confederação europeia alega que propostas de investidores privados na Fifa não foram retiradas e faltam garantias futuras.
  • A Federação de Futebol da Albânia retirou oficialmente seu apoio à candidatura de Infantino à reeleição, intensificando a pressão.

Por que a confiança em Infantino se perdeu?

Em comunicado oficial, a confederação europeia declarou que “a confiança na presidência” do cartola ítalo-suíço “continua perdida” e afirmou que os motivos que levaram ao rompimento permanecem inalterados.

“As federações-membro da Uefa foram muito claras sobre as condições vinculadas à sua não participação nas competições da Fifa”, disse a entidade europeia.

Segundo a Uefa, as propostas para permitir a participação de investidores privados em grandes competições internacionais não foram formalmente retiradas, nem houve garantias de que iniciativas semelhantes não voltarão a ser apresentadas no futuro, um ponto já crítico no recuo da Fifa em projetos de venda de torneios.

“Essas condições não foram cumpridas. O anúncio de ontem não muda nada”, avaliou a Uefa, em referência à manifestação de apoio de integrantes da administração da Fifa ao presidente da entidade.

Para a confederação europeia, o respaldo demonstrado por funcionários cujos cargos dependem da atual gestão não altera a perda de confiança na liderança de Gianni Infantino. A declaração foi divulgada um dia após o presidente da Fifa afirmar a seus colaboradores que não pretende renunciar ao cargo.

Segundo veículos da imprensa internacional, Gianni Infantino reconheceu erros na condução do projeto que previa a criação de uma estrutura para atrair investimentos privados para competições da Fifa, mas sustentou que todas as medidas foram tomadas dentro das normas da entidade.

Apesar do pedido de desculpas, a Uefa rejeitou a justificativa e reiterou que nenhuma das condições apresentadas para encerrar o boicote foi atendida.

Segundo o jornal The Guardian, a entidade também estaria estudando solicitar uma avaliação independente sobre os planos da Fifa relacionados à comercialização de seus principais torneios.

Divisão entre federações e o futuro da Fifa

A crise também provocou novos desdobramentos políticos dentro do futebol internacional. A Federação de Futebol da Albânia anunciou oficialmente a retirada de seu apoio à candidatura de Gianni Infantino à reeleição para a presidência da Fifa.

Em carta enviada ao secretário-geral da entidade, Mattias Grafström, o presidente da federação albanesa e vice-presidente da Uefa, Armando Duka, afirmou que a decisão foi motivada pelos recentes acontecimentos envolvendo a governança da Fifa.

“A Federação de Futebol da Albânia permanece comprometida em colaborar com a Uefa e seus parceiros internacionais para apoiar uma governança do futebol baseada na transparência, na integridade e nos melhores interesses do esporte”, declarou Duka.

Enquanto parte das federações europeias endurece sua posição, dirigentes africanos mantêm apoio a Gianni Infantino. O ministro dos Esportes da África do Sul, Gayton McKenzie, defendeu cautela diante do “linchamento público” do ítalo-suíço e destacou o papel desempenhado por ele no desenvolvimento do futebol africano.

“Podemos debater suas ideias, mas não nos esqueçamos de quem tem sido nosso amigo”, afirmou.

Com o impasse, cresce a pressão sobre a liderança da Fifa às vésperas do processo eleitoral da entidade, embora Gianni Infantino continue afirmando que seguirá na disputa pela reeleição.