Uefa critica Infantino após Fifa recuar de venda da Copa do Mundo

Entidade europeia celebra recuo da Fifa, mas perde a confiança no presidente por "esquemas secretos" e falta de transparência

Logo da Fifa na Copa do Mundo de Clubes
Logo da Fifa na Copa do Mundo de Clubes Foto: Lee Smith/Reuters

A União das Associações Europeias de Futebol (Uefa) saudou neste sábado, 1º de agosto, a decisão da Fifa de abandonar a proposta de vender parte da Copa do Mundo a investidores privados. Contudo, a entidade europeia expressou uma profunda perda de confiança na liderança do presidente Gianni Infantino, criticando a falta de transparência e os “esquemas secretos” por trás da iniciativa.

O que aconteceu

  • A Uefa celebrou o recuo da Fifa em seu plano de vender parte da Copa do Mundo e outras competições a investidores privados.
  • A entidade europeia manifestou total desconfiança na liderança de Gianni Infantino, acusando-o de conduta opaca e tramitação de “esquemas secretos”.
  • A proposta, que visava a criação da Fifa Forward Enterprise (FFE), foi retirada após a forte oposição da Uefa e de outras confederações globais.

A Uefa, em comunicado oficial, declarou que a decisão da Fifa em retirar o plano “foi rejeitada por unanimidade pelas associações nacionais da Uefa e por muitas outras federações e confederações de todos os tamanhos ao redor do mundo, cuja missão é proteger o futebol”.

Críticas à gestão de Infantino

A entidade europeia não poupou críticas, apontando para “esquemas secretos tramados às pressas por indivíduos anônimos e de benefícios duvidosos para o esporte”. A Uefa exigiu que os responsáveis por tais práticas fossem “identificados e responsabilizados”.

O comunicado ainda acusou Gianni Infantino de ter descumprido a promessa de transparência na gestão da Fifa e de ter tentado “impor à força” um plano considerado “precário e obscuro”. “Nos próximos dias e semanas, a Uefa vai trabalhar com suas associações e em estreita cooperação com outras confederações para refletir sobre como isso aconteceu e elaborar um plano para garantir que tal situação não se repita”, afirmou a entidade, ressaltando que “essa análise deve ser minuciosa e profunda, e nenhuma opção deve ser descartada”.

A nota conclui que “a atual liderança da Fifa perdeu não apenas a confiança da Uefa, mas também a de muitos outros membros da família do futebol”. Além disso, a confederação europeia apontou que, “com reservas superiores a US$ 5 bilhões, ele [Infantino] também falhou em utilizar o dinheiro das associações em benefício do futebol”.

Qual era a proposta da Fifa?

A Uefa anunciou que iniciará “imediatamente um trabalho com parceiros e partes interessadas de todo o mundo para propor uma nova forma de distribuição de recursos”. O objetivo é “começar a utilizar parte desse dinheiro parado nas contas bancárias da Fifa para dar o impulso inicial de que o futebol de base e o esporte como um todo necessitam em cada um dos 211 membros da Fifa”, diz o comunicado.

O projeto previa a criação de uma empresa privada, a Fifa Forward Enterprise (FFE), responsável pelas operações comerciais e pelas competições organizadas pela federação. Essa companhia teria um valor de mercado estimado em US$ 20 bilhões. A Fifa venderia para investidores uma fatia de US$ 4,2 bilhões em ações da FFE.

A liderança desse grupo de acionistas seria de Joshua Kushner, fundador da gestora de recursos Thrive Capital e irmão de Jared Kushner, genro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Gianni Infantino mantém boas relações com a família Trump.

Por que Infantino recuou?

O presidente da Fifa, Gianni Infantino, havia dado prazo até 19 de setembro para que as federações nacionais manifestassem apoio à iniciativa. Ele chegou a ameaçar distribuir menos dinheiro para quem votasse contra a criação da FFE, mas recuou diante do boicote da Uefa, que prometera não disputar as competições da entidade, e da oposição das confederações da Ásia (AFC) e das Américas do Norte e Central (Concacaf).

Em sua declaração sobre o recuo, Infantino afirmou na noite de sexta-feira, 31 de julho: “Após ouvir atentamente todas as opiniões, ficou claro que o projeto criou divisões de uma natureza que, independentemente do nível de apoio, não estão mais de acordo com o objetivo estabelecido em primeiro lugar. Nosso propósito sempre foi – e sempre será – unir e melhorar. Dessa forma, esta proposta não prosseguirá”.

A confederação europeia concluiu o comunicado afirmando que a derrota da proposta de Infantino é “uma vitória para todo o futebol”.