A União Europeia e oito países muçulmanos condenaram, nesta segunda-feira (9), as medidas anunciadas na véspera por Israel com o objetivo de ampliar o controle sobre a Cisjordânia ocupada.
Israel anunciou no domingo à noite que seu gabinete de segurança aprovou uma série de decisões que “mudam fundamentalmente a realidade jurídica e civil” na Cisjordânia, um território palestino que o país ocupa desde 1967.
Em um comunicado divulgado na segunda-feira, os ministros das Relações Exteriores da Arábia Saudita, Egito, Turquia, Catar, Jordânia, Emirados Árabes Unidos, Indonésia e Paquistão “condenaram firmemente as decisões e medidas ilegais de Israel destinadas a impor uma soberania israelense” sobre a Cisjordânia.
Eles também denunciaram a imposição “de uma nova realidade jurídica e administrativa na Cisjordânia ocupada, acelerando assim as tentativas de sua anexação ilegal e o deslocamento do povo palestino”.
A partir de Bruxelas, a União Europeia também condenou as medidas israelenses, que, segundo afirmou na segunda-feira um porta-voz do bloco, constituem “um novo passo na direção errada”.
As medidas foram anunciadas pelo ministro israelense das Finanças, Bezalel Smotrich, político de extrema direita do partido Sionismo Religioso, e pelo ministro da Defesa, Israel Katz.
A reforma inclui a eliminação de regulamentos em vigor há décadas que proíbem pessoas judias de comprar terras na Cisjordânia, segundo um comunicado conjunto.
Smotrich afirmou que a medida tem como objetivo “enterrar a ideia de um Estado palestino”.
Entre as decisões anunciadas está a transferência da autoridade sobre as permissões de construção para assentamentos em partes de cidades palestinas, incluindo Hebron, dos órgãos municipais da Autoridade Palestina para Israel.
Em Ramallah, a Presidência Palestina – que exerce uma administração limitada em algumas áreas descontínuas – condenou o anúncio como uma tentativa de “anexar a Cisjordânia ocupada”.
Excluindo Jerusalém Oriental, ocupada e anexada por Israel, mais de 500 mil israelenses vivem em assentamentos e postos avançados na Cisjordânia, considerados ilegais pelo direito internacional.
Nesse território vivem cerca de três milhões de palestinos. A ONU informou que a expansão dos assentamentos israelenses na Cisjordânia atingiu em 2025 seu nível mais alto desde 2017, quando as Nações Unidas começaram a compilar esses dados.
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