UE defende ‘maior compromisso’ para gerir crise na Venezuela

SAN JOSÉ DI COSTA RICA E CARACAS, 7 MAI (ANSA) – A alta representante da União Europeia (UE), a italiana Federica Mogherini, defendeu nesta terça-feira (7) que o chamado Grupo Internacional de Contato (GIC), que reúne países europeus e latino-americanos, deve estar preparado para “um maior compromisso” com a comunidade internacional para tentar solucionar a crise venezuelana. A declaração foi dada durante pronunciamento na abertura da reunião na Costa Rica, que conta com representantes dos oito Estados-membros (França, Portugal, Alemanha, Itália, Holanda, Espanha, Suécia e Reino Unido) e de quatro países latino-americanos (Bolívia, Costa Rica, Equador e Uruguai). O encontro tem como objetivo intensificar os esforços diplomáticos para uma solução “política, pacífica e democrática” para conter a escalada de violência na Venezuela. Mogherini defendeu que o grupo deve estar preparado para um “maior compromisso”, de modo que ajude a “promover as condições e as muito necessárias medidas de promoção da confiança para um processo eleitoral credível no mais curto prazo possível”.   

A Alta representante da UE ainda ressaltou que a solução para a crise no país latino deve “ser venezuelana, mas a comunidade internacional, a região, têm o dever e a responsabilidade de facilitar essa solução”. “Os acontecimentos dos últimos dias na Venezuela e o agravamento da crise fazem com que os nossos esforços conjuntos sejam ainda mais importantes”, acrescentou. A crise na Venezuela ganhou um novo capítulo desde a semana passada, quando Juan Guaidó tentou insuflar um levante militar contra o governo de Nicolás Maduro. O autoproclamado presidente conseguiu apoio para tirar da prisão domiciliar o líder opositor Leopoldo López, que se refugiou na Embaixada da Espanha em Caracas, mas não obteve adesão do alto escalão das Forças Armadas. Ontem (6), o procurador-geral da Venezuela, Tarek William Saab, anunciou que a “tentativa de golpe” liderada por Guaidó para retirar o líder chavista do poder deixou cinco mortos e 233 detidos. Durante entrevista na televisão, ele afirmou que todos os casos estão sendo investigados pelo Ministério Público. Na última terça-feira (30), Guaidó se uniu a um grupo de militares em frente à base aérea militar de La Carlota, em Caracas, pedindo apoio das Forças Armadas, que ratificaram a fidelidade ao líder chavista. Na ocasião, Maduro anunciou sua vitória contra um “golpe de conspiração” e prometeu se vingar dos “traidores”. Segundo Saab, até agora, foram emitidos 18 mandados de prisão contra civis e militares, incluindo de baixo escalão como sargentos. “Temos visto parlamentares e alguns oficiais também com o posto de tenente-coronel agindo à margem da lei”, acrescentou, colocando em evidência o chefe do Destacamento da Guarda Nacional Bolivariana na Assembleia Nacional, Ilich Sánchez Farías. Saab ainda reforçou que 17 ataques realizados estão relacionados ao “processo judicial em andamento. (ANSA)