A União Europeia (UE) arrecadou seus primeiros 20 bilhões de euros com a emissão de títulos de dívida a dez anos, no início de seu ambicioso plano de retomada econômica pós-pandemia, anunciou nesta terça-feira (15) a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.
Em um comunicado, Von der Leyen destacou que este é “um dia verdadeiramente histórico para nossa UE (…). Estamos arrecadando dinheiro juntos nos mercados e investindo em uma recuperação comum desta crise”.
Os títulos negociados têm vencimento em 4 de julho de 2031 e, segundo a UE, pagarão “juros inferiores a 0,1%”.
Os países-membros da UE concordaram em julho de 2020 com um plano de recuperação maciço de € 750 bilhões (mais de US$ 900 bilhões nas taxas de câmbio atuais), financiado por meio de uma combinação de empréstimos sem precedentes e a criação de uma dívida comum.
O plano foi finalizado em julho de 2020, após cansativas negociações, e o bloco pretende chegar a € 700 bilhões até o final de 2026.
“Esta é a maior emissão de títulos institucionais na Europa, a maior transação institucional de uma única parcela até hoje e o valor mais alto que a UE levantou em uma única operação”, anunciou em nota.
“O dinheiro agora pode começar a fluir para redefinir nosso continente, para construir uma Europa mais verde, mais digital e mais resiliente”, indicou Von der Leyen.
Trata-se, disse ela, de um “investimento para o futuro das próximas gerações de europeus, à medida que enfrentam os desafios da digitalização e das mudanças climáticas”.
– Apenas o primeiro passo –
O Comissário Europeu para Orçamentos e Administração, Johannes Hahn, destacou sobre o ocorrido que “conduzimos com sucesso a primeira operação de captação de dinheiro no âmbito do plano de recuperação. É apenas o primeiro passo em um longo caminho”.
O plano de recuperação econômica “agora se tornou uma realidade e impulsionará nossa recuperação coletiva da pandemia”, acrescentou.
De acordo com a UE, a operação “gerou um interesse muito forte de um amplo espectro de investidores”, com uma procura estimada em sete vezes o tamanho da oferta.
No final de junho, os 27 países da UE concluíram o processo de ratificação do plano, autorizando assim a constituição da dívida coletiva para financiar a retomada.
Com a aprovação do plano geral, os países passaram para a fase de apresentação dos seus programas nacionais, sendo Portugal o primeiro a apresentá-lo, país esse que exerce a presidência semestral do Conselho Europeu.
Em discurso ao Parlamento Europeu, Von der Leyen afirmou na terça-feira passada que a Comissão possivelmente começaria naquela semana a aprovar os planos nacionais. Até agora, 23 planos nacionais de investimento e reforma já foram apresentados.