UE aposta em grande coalizão na Itália para evitar uma paralisação

UE aposta em grande coalizão na Itália para evitar uma paralisação

Em caso de risco de paralisação na Itália após as eleições legislativas deste domingo, a União Europeia (UE) trabalha por um acordo de grande coalizão entre os partidos pró-Europa do país, que confirmaria o retorno ao cenário continental do eterno Silvio Berlusconi.

“Gostaria que a Itália, depois de 4 de março, pudesse dispor de um governo que governa, com um apoio parlamentar”, afirmou recentemente o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, resumindo o sentimento geral na capital do bloco continental.

Aos 81 anos e com uma condenação por fraude fiscal nas costa que o inabilita para um cargo público, Silvio Berlusconi permanece como um símbolo do partido Força Itália e se considera uma forte influência na terceira maior economia da zona do euro.

No fim de janeiro, Juncker o recebeu como um amigo em Bruxelas e a influente chanceler alemã Angela Merkel, que pressionou em novembro de 2011 para obter sua renúncia, o considera novamente um parceiro político.

O presidente francês, Emmanuel Macron, conversou várias vezes com Matteo Renzi, o líder do Partido Democrático (PD), que formaria a outra parte da ‘grande coalizão’ italiana e que apresenta como candidato o atual primeiro-ministro, Paolo Gentiloni.

O objetivo deste movimento, similar ao adotado para que o social-democrata Martin Schulz aceitasse negociar um governo de coalizão com a chanceler alemã Angela Merkel, é impedir a chegada ao Palácio Chigi do Movimento 5 Estrelas (M5S), afirmou uma fonte europeia.

“A opinião pública italiana está se inclinando para os partidos antieuropeus que têm um discurso anti-imigração”, alerta outra fonte em Bruxelas.

O M5S, um partido antissistema fundado pelo humorista Beppe Grillo, tem 28% das intenções de voto, enquanto o PD aparece com 22% e a coalizão liderada pelo Força Itália, que inclui os neofascistas Irmãos da Itália, alcança quase 38%, sendo 17-18% para o partido de Berlusconi.

Caso os resultados sejam confirmados, nenhum partido poderia governar sozinho. A complexa lei eleitoral italiana, que combina um sistema proporcional e de maioria, permite obter a maioria absoluta das cadeiras no Parlamento com 40% ou 45% dos votos.

Alguns líderes europeus consideram um fato um acordo de coalizão entre as forças pró-Europa Força Itália e Partido Democrático para apoiar Gentiloni, considerado um “centrista” em Bruxelas, como chefe de Governo caso os resultados impeçam uma maioria clara.

Mas outras fontes têm sérias dúvidas.

“Tenho o sentimento de que ninguém terá maioria, inclusive uma grande coalizão”, disse um cético, para quem “existe um risco real de bloqueio de sistema” na Itália.

Na semana passada, o presidente da Comissão Europeia pediu a todos que se preparem para o “pior cenário”, ao manifestar preocupação com as incerteza que afetam a Europa, como o “aumento dos governos minoritários”.

No mesmo dia das eleições italianas, os social-democratas alemães devem se pronunciar sobre o acordo de coalizão negociado por Martin Schulz com os democrata-cristãos de Merkel.